“Entre o Negro e o Nada!”
Ana Ferreira
(anarafaelaferreira@gmail.com)
“Entre o Negro e o Nada!”
Ana Ferreira
(anarafaelaferreira@gmail.com)
O programa da TVI “A Bela e o Mestre”, designado pelo canal como uma «social experience», chegou aos ecrãs dos portugueses há duas semanas e já me deprimiu o suficiente, pois não só coloca a mulher numa posição subalterna a nível intelectual, como também fomenta o estereótipo de que a beleza e o conhecimento são inconciliáveis na mesma pessoa.
O tráfico humano e o auxílio à imigração clandestina convergem no facto de ambos os fenómenos constituírem actividades criminosas que operam internacionalmente, mas afastam-se no que respeita aos seus intervenientes, relações, processos de recrutamento, lucros e malogros. Ora, vejamos:O angariador é o que estabelece o primeiro contacto com a vítima, recorrendo, por exemplo, a ofertas de emprego falaciosas. Na maioria das vezes, este indivíduo está muito próximo da vítima, estabelecendo inclusivamente relações de afectividade. O seu propósito é claro: ludibriar e obter benefício económico. Quando convence a vítima, encarrega-se das despesas da viagem, que se transformam posteriormente num montante elevadíssimo que vai aumentando continuamente.
Os actos de extrema violência física, psíquica e moral são indissociáveis da clausura do tráfico humano e impiedosamente mecanizados sobre vítimas, de cujas vozes não se conhece o timbre.
Ao contrário do tráfico humano, no smuggling, a identidade e características dos clientes são, de todo, irrelevantes. O indivíduo que solicita os serviços do smuggler não é coagido ou controlado como sucede com as vítimas de tráfico.
Anabela Santos
Em 2006, cerca de 56 jornalistas foram sequestrados e o Iraque surge novamente como a região mais perigosa, bem como a Faixa de Gaza. Por outro lado, 912 meios de comunicação social foram censurados. A Tailândia foi o país onde a censura foi mais aguda, registando-se, após o golpe de Estado militar, o encerramento de 300 rádios e a supressão de inúmeros sites. A China, a Coreia do Norte e a Birmânia constam igualmente na lista dos maiores repressores.
A agressão, a ameaça e a chantagem são frequentes instrumentos utilizados pelos que pretendem coibir os profissionais de comunicação social, sendo 1472 o total de agredidos e ameaçados, ultrapassando os 1308 do ano de 2005.
Censura na Internet:
A organização ‘Reporters sans Frontieres’ enumerou como os principias inimigos da liberdade de expressão na Internet a Arábia Saudita, a Birmânia, a China, a Coreia do Norte e Cuba, entre outros. Com efeito, a censura na Internet acontece no seu modo mais perverso, designadamente através da perseguição, julgamento e prisão de bloggers e ciberdissidentes, ou seja, dos que ousam manifestar os seus pontos de vista. A supressão de sites é igualmente um instrumento recorrente para enclausurar os indivíduos num pensamento escravo.
Em 2006, cerca de trinta bloggers foram detidos e presos, principalmente na China, Irão e Síria. Pela primeira vez, o Egipto consta na lista dos maiores repressores no ciberespaço, sendo particularmente, susceptível das críticas ao presidente, Hosni Mubarak, e ao Islão.
“A História da Humanidade é a história das repetidas vedações e usurpações por parte do homem em relação à mulher, e cujo objectivo directo é o estabelecimento de uma tirania absoluta sobre ela”. [Declaração de Seneca Falls, 1848]
“Privaram-na deste primeiro direito de todo o cidadão, o sufrágio, deixando-a, assim, sem representação nas assembleias legislativas, oprimiram-na desde todos os ângulos”.
No século XIX, as mulheres não detinham qualquer estatuto nas esferas pública e privada nos EUA. Quando eram solteiras, viviam sob a autoridade da figura paterna; quando contraíam matrimónio, os seus maridos tornavam-se os seus representantes. Independentemente do seu estado civil, as mulheres estavam desprovidas de vontade própria e subordinadas ao comando masculino como se tratassem de marionetas.
O esforço e veemência investidos nas reivindicações pelas norte-americanas deram o seu primeiro fruto, em 1920, com a extensão do direito ao voto às mulheres. Esta vitória não escondeu, contudo, as sucessivas e amargas disputas e as futuras batalhas que se iriam travar em nome de uma Igualdade ignorada pela maioria.
O Movimento Democrático de Mulheres (MDM), a associação feminista mais antiga do país, vai realizar, dia 25 de Março, um Encontro-Festa, no Hotel Altis, em Lisboa.Assinalando o ‘Ano Europeu para a Igualdade de Oportunidades para Todas/os’, o encontro visa não só “trocar experiências, alinhar propostas de trabalho para o futuro próximo”, como também comemorar as vitórias conseguidas na arena dos direitos femininos, como a recente despenalização da IVG.
A jornalista russa, Anna Politkovskaya, morta a tiro em Outubro de 2006, será para sempre recordada como uma figura determinada e irreverente, que sorria com escárnio aos hipócritas que a tentavam manipular.O seu compromisso com a verdade e justiça acompanhou incessantemente o exercício da sua profissão, levando-a a perscrutar os temas mais “susceptíveis” da Rússia, como os confrontos na Tchetchénia.A sua coragem e audácia no desempenho jornalístico não foram ignoradas, sendo, por isso, galardoada com inúmeros prémios, como o Prémio da União dos Jornalistas da Rússia (2000), o Prémio Jornalismo e Democracia (2003) e o Prémio d’Olf Palme (2004).
Com vista a apurar as circunstâncias exactas que envolveram o assassinato de Anna Politkovskaya”, a organização “Reporters Sans Frontieres” promove uma petição que visa a criação de uma comissão internacional de investigação.
Porque o MAL dos males é a INDIFERENÇA, assina aqui!
“O Longo Caminho das Mulheres – Feminismos 80 anos depois” percorre o feminismo português desde o seu despoletar, em 1920; e dá a conhecer as suas apologistas, integrando a actuação do movimento na História do nosso país.
Destaca as temáticas que os feminismos da viragem do século enfatizavam, designadamente as sexualidades, a luta pela despenalização do aborto, a violência exercida sobre as mulheres, os «estudos sobre as mulheres», a agência e o sujeito feminista, as mulheres nas esferas «pública» e o «privada», o “ciberfeminismo”, entre outras.
O livro é ainda recheado com a última entrevista concedida pela única mulher que desempenhou o cargo de primeiro-ministro em Portugal, Maria de Lourdes Pintasilgo.
A autoria é de Lígia Amâncio, Manuela Tavares, Teresa Joaquim e Teresa Sousa de Almeida.
Em todo o mundo, milhares de mulheres são vítimas dos actos mais atrozes, como a mutilação genital, abusos sexuais, crimes de honra, tráfico, violência física, psíquica e moral.
“O Livro Negro da Condição das Mulheres”, organizado por Christine Ockrent, compila inúmeros artigos, relatos, perfis e estudos internacionais que delineiam a turva condição feminina na actualidade. Os contributos portugueses chegam da jornalista Sofia Branco, com um artigo sobre a mutilação genital feminina em Portugal, e da Manuela Tavares, com um levantamento sobre a questão do aborto no nosso país.
Entrevista à agente pricipal da PSP do distrito de Braga, Maria Benilde.
E a sociedade civil? Trata-a de igual modo, valoriza o seu trabalho ou subestima-o?
Presentemente, acho que a mulher-polícia já é vista como uma pessoa normal, o que não acontecia há 26 anos atrás. É uma profissão como outra qualquer.
Para acompanhar uma situação de violência, a selecção dos agentes tende a privilegiar o sexo masculino pelo facto de deter uma maior força física?
Presentemente, enviam-se mais homens do que mulheres para o estrangeiro, por exemplo.
Porque é que isso acontece?
Ainda há um bocadinho de preconceito.
Esse preconceito não conduz à discriminação?
Pode não chegar a esse ponto. A partir do momento em que uma pessoa abraça uma missão, essa discriminação passa ao lado, deixa de existir. Acho que tudo vai pelo princípio de uma missão porque este é o mais difícil. Depois de se estar integrado a coisa vai para a frente.
E a relação com as suas colegas agentes diz-lhe que a escolha recai sobre a vida familiar ou a vida profissional?
Há mais mulheres agentes do que superioras. Eu admiro muito as minhas superioras porque elas fazem uma opção e depois vão tentar conciliar dentro do possível as duas esferas.
E isso já não acontece com os seus superiores que mantêm total disponibilidade para se dedicarem ao desempenho das suas funções…
Mas isso provém da nossa sociedade! A nossa sociedade ainda é assim: o homem ainda pode ir e a mulher ficar. Lá virá o dia em que o homem fique e a mulher vá!