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Category Archives: Política e Mulher

Haiti, Michelle Pierre-Louis é a nova primeira-ministra do país

Michelle Pierre Louis, economista de 61 anos, é a nova primeira-ministra do Haiti. E a segunda mulher a assumir este cargo, depois de Claudette Werleigh, que foi primeira-ministra de Novembro de 1995 a Fevereiro de 1996. A nominação de Michelle Pierre Louis surge depois da apresentação de três candidatos pelo presidente Renè Preval.  

Os factos. Desde que Jacques Edouard Alexis, ex-primeiro-ministro, foi forçado pelas violentas manifestações a abandonar o cargo decorreram três meses e meio. Meses nos quais o país respirou um ar particular: temia-se o regresso à guerra civil. Por um lado, a população, enfurecida contra o indiscriminado aumento dos preços dos bens de primeira necessidade, sobretudo farinha e arroz; por outro, a “política” culpada, na perspectiva da população, pela pesada situação na ilha e de não ter sido capaz de administrar a economia do país. O presidente Preval encarou a situação praticamente sozinho e só depois de três tentativas conseguiu a eleição de uma “Dauphine”. Portanto, o Senado haitiano deu luz verde, ontem, mas a Câmara já tinha dado o seu parecer favorável em 17 de Julho do ano passado.                 

O futuro. A economista de 61 anos, desde sempre próxima das posições de Preval, deverá agora estudar o programa de Governo e procurar formar um executivo capaz de fornecer respostas às questões incessantes da população, sobretudo na luta contra a pobreza, fome e a larga corrupção que grassa no país. Expert em economia, Michelle Pierre Louis estudou em Nova Iorque para depois emigrar para França e prosseguir os seus estudos sobre administração de escala aeroportuária. Em 1995, foi dirigente de uma organização não-governamental, a Fokal, financiada pelo magnata norte-americano, George Soros. No Haiti, há muito confiança na sua capacidade de primeira-ministra, que deverá ter em atenção o estado dos custos de um dos países mais pobres do mundo, onde a população vive com menos de dois dólares por dia.      

Texto Original: AQUI!

Tradução: Anabela Santos

As mulheres têm cada vez mais presença em cargos políticos nos Estados Unidos e vão acumulando estreias e recordes: na última eleição em Janeiro de 2007, foram eleitas 71 mulheres para o Congresso, o maior número de sempre.

No Senado há ainda 16 mulheres – a maioria está do lado democrata, quer no Congresso quer no Senado, e a speaker [presidente] da primeira daquelas câmaras é a democrata Nancy Pelosi. A título de curiosidade, a primeira mulher eleita para o Congresso foi a republicana (e pacifista) Jeanette Rankin em 1917 – antes ainda de as mulheres verem garantido o direito ao voto nos EUA.

Enquanto a proporção do Congresso e Senado é semelhante (cerca de 16 por cento), nos organismos legislativos dos estados a proporção aumenta: segundo o site Center for American Women and Politics, 23,7 por cento dos deputados estaduais são mulheres (1748 em 7382 lugares). Desde 1971, nota o CAWP, este número aumentou mais de cinco vezes.

Há actualmente oito governadoras na América. Desde os anos 1920 que há governadoras nos EUA, mas eram sempre mulheres ou viúvas dos governadores – apenas em 1975 tomou posse uma mulher eleita sem relação com um governador.

Finalmente, só nos anos 1980 é que uma mulher entrou num ticket eleitoral de um dos grandes partidos: Geraldine Ferraro foi candidata a vice-presidente do democrata Walter Mondale quando era certa a reeleição do republicano Ronald Reagan, em 1984. Os mais cínicos comentam que Ferraro foi escolhida porque a derrota dos democratas era certa e o partido hesitou entre escolher para vice “a mulher ou o negro”.

Jill Filipovic, do blogue Feminste, nota ainda que nesta corrida presidencial há uma mulher negra, Cynthia McKinney (concorre pelos Verdes, pelo qual também já concorreu Ralph Nader): “Isso é também extraordinário, mesmo que ela não vá ganhar”, diz a nova-iorquina Filipovic, por e-mail.

Pesando tudo isto, conclui Filipovic, “as mulheres ainda enfrentam barreiras incríveis na política”. “Hillary abriu muitas portas, mas a próxima mulher que concorrer ainda irá ter de quebrar as suas próprias barreiras.”

Fonte: Jornal “PUBLICO” [versão impressa online, 15.05.2008]

 

Um pouco de humor faz sempre bem!

 

Sylvie Silva Oliveira

A participação activa das mulheres no poder tem sido alvo de uma enorme discussão pública. É sabido que as mulheres ocupam os cargos menos exigentes, em matéria de poder político, dado que a sociedade sempre lhes confinou o dever de serem, principalmente, boas donas de casa, mestres nos serviços sociais e peritas em profissões não qualificadas.

Claramente, que estamos perante um comportamento ou manifesto de desigualdade de género, na medida em que a mulher encontra-se subrepresentada na área do poder local, nacional e transnacional. Incumbir papéis de género traduz-se, indubitavelmente, num mecanismo de contracção da igual possibilidade de ascensão ou permanência na carreira política.

De acordo com a Constituição da República Portuguesa, o artigo 13º realça o princípio da igualdade, assim como o 109º que enuncia a importância de ambos os sexos intervirem na vida política para consubstanciarem o príncipio da igualdade democrática. Além disso, a aliança europeia ou comunitária considera que uma das missões da supramencionada é fomentar a igual participação de ambos os sexos na vida política, activamente. Caso contrário, tratar-se-á de uma forma de discriminação.

Nunca é demais  lembrar a importante contribuição da Declaração Universal dos Direitos do Homem que mostra a necessidade que qualquer cidadão tem de manifestar a sua competência política e que tal facto não se pode traduzir num comportamento desigualitário (artigos 1º e 21º).

Vejam-se alguns dados elucidativos desta realidade:

• Nenhuma mulher assumiu até hoje a Presidência da República em Portugal.
• Depois do 25 de Abril de 1974, a função de Primeiro Ministro foi anunciada a representantes do sexo masculino. Apenas no ano de 1979 uma mulher esteve à frente de este cargo.
• Assembleia da República: desde 1976 foram eleitos 1618 efectivos do sexo masculino e apenas 166 efectivos do sexo feminino (estudo realizado em 1998). Apesar do número de mulheres a participarem, activamente, na Assembleia da República ter diminuido bruscamente, o número de deputadas neste domínio de intervenção aumentou, significativamente, entre 1995 e 1999.
• No ano de 2001, registaram-se 10 homens e somente 3 mulheres no Tribunal da Constituição.
• Governos Regionais: nenhuma mulher a ocupar cargos na área de intervenção do poder político.
• Poder Local: subrepresentação da mulher em todos os órgãos autárquicos e nas várias funções que os compõem.
• Subrepresentação das mulheres  nos órgãos executivos e sobrerepresentação das mesmas em cargos deliberativos.
• Baixo número de mulheres  nos partidos políticos, organizações sindicais e patronais, administração pública e sector privado.

Face a este cenário há que pôr em causa a igual oportunidade no exercício da cidadania e a desigual participação de homens e mulheres nas tomadas de decisão mais importantes.

Mais um estado de revolta, mais uma luta!

 Ana Ferreira

Novo Governo apresentado por Zapatero tem mais mulheres que homens

O socialista José Luis Rodriguez Zapatero apresentou hoje, oficialmente, a composição do seu novo Governo. Pela primeira vez em Espanha, há mais mulheres do que homens.

Investido ontem na liderança do novo Governo espanhol, depois da vitória do seu partido nas legislativas, Zapatero reconduziu os pesos pesados do seu anterior Governo, nomeadamente a vice-presidente e porta-voz Maria Teresa Fernandez de la Vega e o vice-presidente responsável pela Economia, Pedro Solbes.

Miguel Angel Moratinos continua à frente da diplomacia espanhola e Alfredo Perez Rubalcaba, mantém o lugar de ministro do Interior.

Entre os que se mantêm estão ainda Elena Espinosa, que será responsável pelo Meio Ambiente, Meio Rural e Marinho; Alfredo Pérez Rubalcaba (Interior), Bernat Soria (Saúde), César Antonio Molina (Cultura), Elena Salgado (Administração Pública) e Mariano Fernández Bermejo (Justiça).

Este Governo, que marca uma certa continuidade, vê chegar cinco novos ministros e sair quatro titulares da equipa cessante, entre eles o ministro do Trabalho e dos Assuntos Sociais, Jesus Caldera.

Carme Chacon, 37 anos, tornou-se na primeira mulher em toda a história espanhola a liderar a pasta da Defesa. Chacon faz parte de um grupo de nove mulheres, contra oito homens, que compõem o Governo de Zapatero.

Passam ainda a fazer parte do Executivo Miguel Sebastián (que ficará com a pasta da Indústria), Celestino Corbacho (Trabalho) e Beatriz Corredor (Habitação).

Entre as novidades figuram um Ministério da Igualdade, atribuído a Bibiana Aido, 31 anos, e um Ministério das Ciências e da Inovação, ocupado por Cristina Garmendia, 45 anos.

Fonte: Público ( 12.04.2008 – 11h04)

Nezha Eloufi, investigadora marroquina em ciências sociais, comenta as eleições no seu país
Sem a participação das mulheres, a democracia é inconcebível. Depois de duas décadas, as deputadas marroquinas, as associações feministas, os investigadores, homens e mulheres estão “à procura de justiça num mundo de ilegalidade”, para utilizar as expressões usadas pelo instituto de investigação das Nações Unidas sobre o desenvolvimento social.
Homem e mulher. O escrutínio de 2007 inscreve-se numa estratégia política e num programa adoptado pelo Estado marroquino e pela sociedade civil em grande escala para promover a igualdade homem-mulher e dá-nos a impressão, através da campanha eleitoral e dos programas dos partidos, de querer contribuir para uma forte participação das mulheres na gestão dos negócios públicos. Isto é aquilo que se deduz do curso da preparação destas eleições. Observando os notáveis progressos em matéria de reconhecimento dos direitos das mulheres em particular nas experiências das ONG’s e dos partidos, pensamos que ainda há muito para fazer e os dados das eleições de 2002-2003 testemunham-no: 10,8 por cento dos deputados e somente 0,54 por cento dos eleitos comunais são mulheres. Para fazer frente a este deficit e tendo conta a problemática da participação das mulheres na política, – que é uma batalha não somente feminina mas também dos homens para a igualdade, democracia e justiça social – as mulheres marroquinas dão prova todos os dias de estarem mais presentes no mundo dos negócios, no campo económico e social, no sector cultural associativo e desportivo, mas a sua participação na política constitui um grande paradoxo que os partidos e o Estado devem enfrentar. Se Marrocos, em 2002, abriu o caminho do mundo árabe ao recurso das listas nacionais como medida de reforço da representatividade parlamentar feminina, o exemplo marroquino assinalou uma evolução recente no mundo árabe e em África. A questão que se põe à ordem de hoje das eleições legislativas que faz desperdiçar muita tinta é que os partidos políticos marroquinos contribuíram, de algum modo, para a evolução em matéria de integração política das mulheres. É isso que se constata nos esforços feitos desde 2002 ate à véspera das eleições de 2007, para aumentar a representatividade das mulheres e a sua integração. Encontramos a resposta no nível abstenção registado no dia do voto, sabendo que mais de metade da população marroquina é do sexo feminino.
Uma mentalidade antiga. A maior parte dos partidos políticos marroquinos ficou ancorado às suas práticas e à cultura de aproveitamento das difíceis condições sócio-económicas das mulheres para tirar proveito no dia de voto. O princípio da lista nacional foi tolerado com, como garantia, um pacto de honra ao qual os partidos aderiram e se adequaram nas eleições de Setembro de 2002. Mas, na compilação das listas locais, poucas mulheres assumiram a chefia, dando somente a quatro mulheres a possibilidade de serem efectivamente eleitas. Com efeito, o caminho está ainda longe, o deficit da representatividade e de integração das mulheres a nível mundial não pode constituir um álibi para Marrocos, que se ocupa a sexta posição no mundo árabe, depois do Iraque com 25,5 por cento; a Tunísia com 22,8 por cento; a Mauritânia com 20,9 por cento; a Síria com 17,8 por cento e o Sudão 12 por cento. Estamos ainda muito distantes dos países nórdicos ou de Ruanda, cujo testemunho foi edificante: a experiencia ruandesa foi a de estabelecer uma quota mínima de 30 por cento para alcançar uma representatividade feminina por volta dos 49 e, por isso, deveria constituir um exemplo a seguir para Marrocos. As eleições de 2007 constituem uma etapa importante na estabilização das práticas democráticas na vida política do país. A ausência da participação feminina no voto, o qual representa um exercício efectivo de cidadania, é prejudicial ao desenvolvimento da democracia. A representatividade e a integração consciente das mulheres nas elites políticas nacionais estão longe de reflectir a proporção demográfica e a medida do seu contributo económico. Finalmente, Marrocos deve responder ao repto da vontade política e das iniciativas dos partidos, do Estado e da sociedade civil para reforçar a representatividade política das mulheres e a desempenhar o papel de “locomotiva” de um desenvolvimento sensível ao “género”.
Nezha Elouafi
Versão original AQUI!
“Que a luta contra as violências realizadas contra as mulheres, violação cometidas em França em cada duas horas, uma mulher morre vítima de violência doméstica todos os três dias, seja um assunto de estado. “
(Congrès d’investiture du Parti Socialiste , Mutualité 26 novembre 2006)”Vou fazer uma reforma para que todas as mulheres que sofrem de violência possam ficar no seu domicilio e que seja o cônjuge violento que tenha de sair. Para que eventualmente seja tratado, muitas vezes eles próprios viram na sua infância maus-tratos a sua mãe. É preciso quebrar esta espiral de violência e de brutalidade.”
(DIMANCHE + , CANAL+, 21 janvier 2007)

É preciso recusar essas discriminações que, no mundo do trabalho, atingem as mulheres, maioritariamente os baios salários.”
(Soissons, 27 juin 2006)

“Eu sei que a batalha no quotidiano para as mulheres devem sem cessar provar aquilo que é espontaneamente reconhecido a um homem”.
(Réponses aux questions des libénautes, Libération, 15 novembre 2006)

“As mulheres ganham anda menos de 20 à 30% que os homens.”
(Grenoble, Débat participatif sur la jeunesse, 1 er février 2007).

“Eu desejo que a contracepção seja gratuita para as jovens de menos de 25 anos para lutar contra as gravidezes precoces.”
(Villepinte, 11 février 2007)

Sylvie Oliveira
“Na minha família, o destino das mulheres era casar e dedicar-se ao lar. Para conseguir escapar a este destino, a minha única possibilidade era merecer, pelas minhas notas, o direito de ir mais longe.”

Segolène Royal
Candidata as presidenciais francesas.

Sylvie Oliveira

“ É mais dificil para uma mulher…Nenhum homem com o meu percurso teria sido posto em causa “
Segolène Royal
Candidata a presidência da República
As criticas a candidata socialista francesa Segolène Royal têm sido ferozes, o mínimo erro de gramática, um mínimo gesto é analisado. De facto a candidata tropeçou numa pergunta sobre o número de submarinos existentes em França, mas isso não significa que é incapaz e muito menos que não tem nada a dizer como muitas a acusam.
Foi três vezes ministra e quatro vezes deputada, actualmente é Presidente do conselho regional de Poitou-Charentes. Trabalhou sete anos ao lado do antigo Presidente da Republica François Mitterrand. No entanto é muitas vezes pintada como se não possuísse nenhum conhecimento político, como se tivesse sido escolhida por estar na moda eleger mulheres e que se limita a decorar os textos para as conferências. O seu mérito e valor são constantemente postos em causa, sem esquecer o rol de piadas sexista a que é alvo.
Durante um programa francês “J’ai une question a vous posez” que ocorreu no dia 19 de Fevereiro, em que pessoas são seleccionadas e de seguida podem fazer perguntas em directo, teve mais uma vez de se justificar sobre as suas competências. Muitos esperavam vê-la fracassar ou porque não possui retórica ou por ter-se destabilizado com as sondagens que lhe eram desfavoráveis.
Contra estas expectativas conseguiu de uma forma clara e sincera argumentar as suas ideias e esquivar-se de alguns ataques. Sendo o seu marido François Holande ser secretário-geral do partido socialista questionaram-na se de facto iam governar os dois e de que forma iam separar os poderes. Recusou responder sobre a sua vida privada.
Governar os dois? Continuo sem perceber estamos a falar de uma candidata e não do seu marido. Por ser mulher não consegue tomar decisões sozinhas? Continuo a afirmar que se a um homem nunca se tinha levantado tais questões.
Não se trata de uma questão de partido político, nem pretendo dizer que devia vencer só por ser mulher. Trata-se de tratamento igual entre os géneros, o que na minha opinião não está a ser conseguido nesta campanha.
Sylvie Oliveira
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