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O processo de circuncisão ao qual a criança é submetida ocorre em condições sanitárias deploráveis, com a utilização de materiais artesanais não-esterilizados, como facas, lâminas, tesouras ou vidros. Médicos, parteiras, barbeiros ou parentes da criança extirpam os órgãos genitais, obliterando o sofrimento ao qual a vítima é exposta e as consequências psicofísicas resultantes.
Atentemos na seguinte descrição, retirada do livro Mulheres e Direitos Humanos, publicado pela Amnistia Internacional, que nos reporta para um contexto pungente e real de Mutilação Genital Feminina (MGF):

“A rapariguinha, completamente nua, é imobilizada na posição de sentada num banco baixo por, pelo menos, três mulheres. Uma delas com os braços, muito apertados, à volta do peito da criança; as outras duas mantêm abertas as pernas da criança à força de modo a abrirem bem a vulva. Os braços da criança são amarrados atrás das costas ou imobilizados por duas outras convidadas.
(…) Em seguida, a velha tira a lâmina e extirpa o clítoris. Segue-se a Infibulação: a operadora corta com a lâmina o lábio menor de cima para baixo e, em seguida, raspa a carne do interior do lábio grande. Esta ninfectomia e raspagem são repetidas do outro lado da vulva. A criança grita e contorce-se de dor, apesar da força exercida sobre ela para ficar sentada.
A operadora limpa o sangue das feridas e a mãe verifica o trabalho, por vezes, pondo lá o dedo. A intensidade da raspagem dos lábios grandes depende da habilidade “técnica” da operadora. A abertura que é deixada para a urina e para o sangue menstrual é minúscula.
Depois a operadora aplica uma pasta, assegura-se que a adesão dos lábios grandes fica feita através de um pico de acácia, que fura um lábio passando através deste para o outro. Desta maneira, introduz 3 ou 4 na vulva. Estes picos são depois mantidos nesta posição com uma linha de coser ou com crina de cavalo. Volta-se a pôr pasta na ferida. Mas tudo isto, não é suficiente para garantir a união dos lábios maiores; por isso, a rapariguinha é então atada a partir da pélvis até aos pés: faixas de tecido enroladas com uma corda imobilizam completamente as pernas. Exausta, a menina é depois vestida e deitada numa cama. A operação dura de 15 a 20 minutos, segundo a habilidade da velha e a resistência que a criança oferecer”.Perante uma prática de dimensões incomensuráveis como a MGF, entidades reconhecidas como a Organização Mundial de Saúde (OMS), Amnistia Internacional (AI) ou Concelho Internacional de Enfermeiros (ICN) reúnem esforços para a sua erradicação definitiva. No entanto, todas as iniciativas e projectos desenvolvidos parecem ser insuficientes; o problema prevalece com término indeterminado, regozijando os que a promovem e frustrando os que a repudiam.
Neste momento de reflexão e de alguma lucidez, interrogo-me: a MGF dissipar-se-á algum dia?
Fica a pergunta e a ânsia de uma resposta breve.
Anabela Santos
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3 Comments

  1. Essa é uma questão relativa a povos específicos. Tal como o uso da “burka” isso é para nós (claro que ainda mais) ignóbil, mas temos que ver que são actos que reportam a uma cultura específica. Ainda assim, penso que é absolutamente o melhor a fazer erradicar tais práticas, pelo bem dos próprios visados, ainda que isso venha mexer com a sua própria identidade cultural, a qual deveria ser melhor entendida e acompanhada.
    Continuem!

  2. Devemos unir esforços para lutar contra a MGF e outras injustiças/desigualdades que coloquem em risco a saúde física, emocional e espiritual de qualquer ser humano. Este é um problema bastante complexo e difícil de resolver. Resulta de tradições e crenças inerentes à própria cultura e embora a nós, ocidentais, nos pareça um acto condenável e aberrante, para os outros povos é um prática comum e “normal”. Como mudar as crenças e hábitos destas pessoas? as suas atitudes assentam na ignorância e/ou desconhecimento? acredito que a MGF acabará por ser erradicada mas não na nossa geração. A primeira etapa, deverá estar, na minha opinião, numa formação educacional destes povos.

  3. Espeluznante es la única palabra que se me ocurre. En España se descubrió que algunos inmigrantes aprovechaban viajes a sus países para someter a sus hijas a este horror. Se ha hecho un protocolo de seguimiento de las niñas y si ocurre algo, la familia es expulsada de España. No sé si habrá sido eficaz esta medida. En los países de origen se debería hacer campañas intensas de educación y de erradicación. Es también la responsabilidad de los países occidentales que esto siga ocurriendo. No es cultura, es barbarie, uno de los últimos extremos de la violencia estructural contra las mujeres.


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