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Na periferia ou nos centros urbanos, a prostituição é uma prática manifesta que transforma espaços como áreas residenciais/comerciais ou vias rápidas e circulares em palcos nos quais inúmeras mulheres encarnam o papel das suas vidas.
Expostas ao olhar de vilipêndio da sociedade, vendem ou leiloam um corpo que, por breves instantes, se metamorfoseia num instrumento de trabalho (para uns) e de prazer (para outros). Constituem uma subcultura ou conjunto organizado (a partir da idade, sexo, aspecto físico e dependência de drogas), que se rege por normas que cada uma deve respeitar de forma a garantir a sua segurança e a do próprio grupo.
Na rua, as mulheres de sorrisos plastificados e olhares previdentes confundem-se, mas os motivos pelos quais enveredaram e permanecem no meio prostitucional são distintos.
Para muitas, a decisão é tomada (aparentemente) de uma forma livre, sem a intervenção de um agente coercivo, pelo menos, explícito. Empreendem esta actividade porque encontram nela uma forma rápida de alcançar, a médio ou longo prazo, uma vida repleta de conforto e adornos de bem-estar. São mulheres que apresentam uma aparência física cuidada e uma auto-estima elevada. Abandonam mais cedo a prostituição e constituem uma minoria.
Por outro lado, há as que encetam a prostituição coactivamente, ou seja, cuja margem de decisão arbitrária é elevada à nulidade (são denominadas de heterodeterminadas). O proxeneta é, frequentemente, o elemento que encarcera a mulher nesta actividade. Hodiernamente, esta figura assume-se como o explorador da prostituta e o seu papel de protector de outrora desfalece-se de modo progressivo. Para além deste, as causas biológicas também mantêm as mulheres na prostituição – é o caso das prostitutas toxicodependentes. Prostituem-se para conseguir dinheiro para a compra de droga; a necessidade de consumir sobrepõe-se ao uso negligente do próprio corpo. Embora sejam em menor número, há também mulheres vítimas de redes de tráfico de mulheres.
Por último, encontram-se as mulheres etodeterminadas, ou seja, aquelas que permanecem no meio por hábito. Reiteram esta actividade porque não conhecem outra forma de estar na vida.
Embora saiba que os motivos pelos quais as mulheres iniciam a actividade prostitucional dissentem, não consigo descartar a possibilidade de existir, explícita ou implicitamente, um agente externo coactivo comum a todas. As mulheres consideradas autodeterminadas, prostituem-se por motivos económicos. Não serão as dificuldades económicas factores condicionantes da sua decisão?
Assentindo esta possibilidade, onde reside a autonomia ou livre-arbítrio da prostituta?
Acredito vivamente que a prostituição, velada ou de rua, resulta de uma insuficiência das estruturas social e económica, pelo que não consigo corroborar a possibilidade de uma mulher tomar esta decisão livremente. A não existência de um proxeneta ou de uma rede de tráfico não significa que a mulher não seja coagida. Há outros aspectos (implícitos) como estrutura familiar e condições económicas, que catapultam a mulher para a prostituição.
A decisão arbitrária é, puramente, uma ilusão!
Anabela Santos

2 Comments

  1. Olá. Estou deixando o comentário para saberem que continuo a visitar o vosso blog. Antes de mais, parabéns. Sobre o tema da prostituição de rua, deixo a dica de um livro “Puta de Prisão” da Isabel do Carmo e Fernanda Fráguas, editado pela Dom Quixote. Apesar de retratar uma realidade anterior à prostituição passar para o regime abolicionista, me interesso pelo tema porque acho que estudando um pouco da história chegamos perto – ou identificamos pontos – da compreensão dos dias actuais. Beijinhos. Paula Lee.

  2. prostituicao é uma razao pelo qual maior parte das mulhers optam por fazer,devido as nessecidades e ao sustento do filho ,se caso houver nao tem pai que lhe sustentao filho.
    no meu ponto de vista acho que é maior parte de homem sao culpado,pela prostituicaoda mulher, em todo o mundo.e a mulher nao consegue fazer relacoes sexuais sem tomar algum bebida,ou droga ,assim vai piorar mais.
    prostituicao nao crime ,mas sim uma forma de sobriviver,se a mulher nao tem ajuda quer da familia ,quer do marido.


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