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Izabela Araújo é uma jovem brasileira que encetou a prostituição com apenas 18 anos, por influência de uma amiga. Considera-a “uma maneira rápida e muitas vezes prazeirosa de se ganhar a vida”, mas não esquece os seus riscos. “Só consegue sobreviver quem tem muita garra, auto controle, inteligência e objectivos”, enfatiza.Abandonou a prostituição aquando do seu casamento com um dos “seus primeiros e mais assíduos clientes”. Contudo, após a separação reintegrou-se no meio de modo a “manter o mesmo padrão de vida”. Actualmente, trabalha como scort girl, atendendo os clientes em motéis, hotéis ou na residência do cliente. Em entrevista ao O Mal da Indiferença, Izabela considera que o sentimento da sociedade em relação à prostituta é um misto de amor e ódio, mostrando-se preocupada com o crescente preconceito.
Há quantos tempo permanece na prostituição?
Izabela Araújo: Comecei aos dezoito anos, casei-me dois anos depois com um dos meus primeiros e mais assíduos clientes, passei seis anos casada, me separei em 2004 e voltei a fazer programas. No total, tirando o período do casamento, já são três anos e cinco meses.
No Brasil, quanto aufere uma prostituta, mensalmente? É uma quantia suficientemente aliciante para incentivar outras mulheres?
Como não tenho todo o tempo do meu dia disponível para os clientes, meus ganhos giram em torno dos 8000 reais, para um país de desigualdades sociais em que a maioria tem que sustentar suas famílias com o mínimo (R$350,00), acho que aliciaria até outros homens.
Quando tenciona abandonar a prostituição?
Quando comecei queria apenas um carro, comprei. Depois pretendi ter minha casa própria, já estou morando nela. Agora luto por um negócio que me dê uma renda mensal, entrei no ramo de locações de imóveis. Não sei se conquistando mais esta etapa conseguirei parar. Acho que enquanto existirem homens que me queiram estarei sempre na activa.
Como é o dia-a-dia de uma prostituta?
Depende. No meu caso, só viro prostituta no quarto ou quando escrevo um texto para o Madame Bela. Meu dia a dia é normal, vou a academia, ao supermercado, como em fast foods, pago minhas contas, estudo, vejo TV. faço tudo igual, a única diferença entre mim e outras mulheres é que faço sexo com desconhecidos e recebo um pagamento em dinheiro depois do sexo.
Estabelece algum tipo de relação com o cliente para além da profissional?
Pode acontecer, depois de alguns programas com o mesmo cliente, que a relação se torne mais pessoal, o que na verdade atrapalha mais que ajuda. É comum os homens confundirem alguma afinidade com um relacionamento que na verdade não existe. Tento evitar este tipo de envolvimento, mas tenho clientes que viraram meus amigos e já tive clientes que viraram namorados e até marido. Então, nem sempre é possível manter uma relação profissional apenas.
Durante o período em que esteve casada, não se prostituiu?
Não, eu e meu marido passámos a trabalhar juntos num mesmo negócio.
Porque voltou para a prostituição após o divórcio?
Para manter o mesmo padrão de vida de quando casada.
A quem recorreu para voltar a entrar no meio?
Ninguém. Experiência e coragem não me faltaram.
Como caracteriza a reacção da sociedade brasileira face ao fenómeno da prostituição?
Se comportam como lobos em noite de lua cheia. Nos desejam, sentem medo, curiosidade, nojo. Muitas mulheres gostariam de ter coragem suficiente para serem prostitutas, ainda que por um dia, e muitos homens tem o desejo de satisfazerem sexualmente uma prostituta. Somos amadas e odiadas ao mesmo tempo, mas o que mais machuca é o preconceito, não apenas das outras pessoas, mas o nosso próprio. Acredito que seja assim em todo lugar.
Considera que a regulamentação da prática da prostituição beneficiaria as pessoas que se prostituem?
Não. Não acho que será legalizada um dia, gostamos do que é imoral. Legalizar significará aceitar como certo e nenhum pai ou mãe diria: Meu sonho é que minha filha seja prostituta quando crescer. Acho que as prostitutas são livres o bastante para não aceitarem contratos de trabalho, pagamento de impostos sobre os lucros do seu próprio corpo. A melhor alternativa é deixar como sempre foi, é o que eu acho.
Anabela Santos

5 Comments

  1. En efecto, la respuesta a la última pregunta es todo un compendio: usa unos argumentos para mí muy significativos. Y dice algo importante: nos aman y nos odian a la vez. No es de extrañar. Los mismos que están agradecidos porque son un puntal de su sistema patriarcal, las odian porque son su espejo, la prueba fehaciente de su injusticia. Muy fuerte. Es una mujer inteligente, me parece, que sabe ver la realidad.

  2. Manifestamente, a pobre prostituta não sabe do que fala. A última resposta é particularmente infeliz.

  3. Parabéns pelo vosso blog – parece-me uma óptima iniciativa e espero que continuem cheias de garra!
    Li os comentários que vos deixaram em posts e na caixinha do lado direito – sei como é frustrante ter de ouvir/ler esse tipo de observações profundamente sexistas, pouco abertas ao debate construtivo. Há pessoas que parecem visitar os blogs feministas apenas com o objectivo de confirmar os estereótipos que já têm sobre o feminismo e @s feministas, e não para ficar a conhecer as reivindicações e preocupações das pessoas que os escrevem.
    Mas não deixem que isso vos desmotive! Força!
    E já agora, muito obrigad@ pelos brilhantes comentários que têm deixado no blog do Colectivo Feminista! É um prazer contar com a vossa presença por lá!

  4. Acho que o Pedro está errado em (pelo menos) um aspecto: quem ganha cerca de 8000 reais enquanto que a maioria apenas ganha cerca de 350, não se pode dizer que essa pessoa seja muito “pobre”. Já agora, cada um tem a sua opinião, seja ela “infeliz” ou não. e,penso eu, a opinião de uma pessoa que está dentro do assunto terá mais valor, não?
    Continuem com os vossos textos.

  5. Percebo pelas respostas, apesar da pouca idade dela, uma mulher madura e bem articulada…Discordo quanto à “nossa preferência pelo o que é imoral”, talvez nem ela saiba o significado real desta palavra..Tenho certeza que ela ao buscar na prostituição a renda que afirma obter ($ 8000,00 acho difícil) estava justamente fugindo de toda a imoralidade que a vida dela presenciara e significou até ali (falta de estrutura familiar, formação, privação financeira, talvez fome, ambição combinada com falta de capacidade, um corpo atraente com muita atitude e pouca reflexão..) o que é irÔnico…


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