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Em todas as sociedades há agentes societais que diligenciam manter o seu código normativo activo com o intuito de impor um comportamento padronizado aos indivíduos. Demonstram-se intransigentes perante aqueles que o infringem, estes coagidos a saldar a sua transgressão, por vezes, até com a própria vida. É o que acontece a milhares de mulheres (5000 anualmente; fonte: UNFPA) que, pelo facto de ousarem libertar-se do olhar “panóptico”, são vítimas do crime de honra.Crime de honra é a expressão que designa os actos de extrema violência, geralmente homicídio, perpetrados por membros de uma família contra uma mulher do mesmo núcleo (irmã, filha, esposa, …) pelo facto de considerarem a sua conduta imoral e nociva para a honra familiar. Os motivos pelos quais este crime é observável hodiernamente são diversos: recusa da mulher em aceitar um casamento imposto pela família; ineficiência na esfera doméstica; pretensão de divórcio; adultério ou o facto de ter sido vítima de violência sexual. Cada um destes factores é considerado um atentado à honra familiar e o modo privilegiado de restabelecê-la é eliminar o membro que a denegriu.
Não é possível circunscrevê-lo a uma área geográfica específica, já que se prolifera por todo o planeta. Todavia, pode-se mencionar alguns países onde a sua prática é nítida, a saber: Bangladesh, Brasil, Equador, Egipto, Índia, Israel, Marrocos, Paquistão, Turquia, Uganda, Irão, Canada e Reino Unido.

Repugna até os mais insensíveis, mas para muitos parece ser a solução mais apropriada. Permanece como manifestação da hegemonia masculina, instrumento de um sistema falocrático/patriarcal que deturpa e oblitera a vontade da mulher.
Até quando a figura feminina continuará a ser vítima dos mais inimagináveis e hediondos crimes?

Anabela Santos
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One Comment

  1. Criminalizar uma pessoa é antes de mais atribuir-lhe um limite, atribuir-lhe uma racionalidade tao limitada quanto autoritaria. O poder é vazio, é autocratico, é compulsivo e corrompe as massas. Afinal quem nao sabe usar o poder, limita-se a prestar um serviço. E como os serviços sao tudo menos representativos de uma democracia interna, fica a minha reflexao de que quanto menos segura é uma instituiçao maior é a adopção de mecanismos de centralizaçao, de gestao, de controlo sem recurso à competencia funcional. Os sindicatos e os partidos politicos são tudo menos respresentativos e defensores de uma democracia , na base da igualdade. As comissoes só ditam as partes dos tratados que lhes sao convenientes às massas mais frageis. O crime de honra é uma realidade politica e social: nao está nas garras de uma pessoa (nas maos de um autocrata), mas nas maos da Sociedade.
    PS: Está um texto bem conseguido e esclarecedor:).


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