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Ridículos e atrozes, os conflitos armados proliferam por toda a parte, ceifando milhares de vidas e maculando outras tantas. A decadência humana e a destruição material que desencadeiam são, absolutamente, suplantadas pela ânsia de derrotar o inimigo, que poderá ser um país vizinho, um grupo étnico ou qualquer outra entidade que se manifeste dissidente e perniciosa. Em nome de ideologias e objectivos pouco explícitos, muitos são aqueles que, com uma devoção inabalável, arriscam a vida, pensando que a causa “justa” que preconizam (com armas e outros artefactos de guerra!) os ilibará dos crimes bábaros e hediondos que perpetram.
Num lado mais tenebroso, estão milhares de mulheres, homens e crianças que abandonam as suas casas e o seu país, com o intuito de se refugiarem num local seguro que garanta a sua subsistência. Para além da constante possibilidade de perderem a vida e da escassez de alimentos, existem inúmeras ameaças latentes, que vulneram mormente a mulher: a violação como arma de guerra.
Atentemos, seguidamente, num testemunho recolhido pelos técnicos da Amnistia Internacional de uma refugiada de Disa no campo de refugiados sudaneses Goz Amer, no Chade, Maio de 2004.
“Eu estava a dormir quando o ataque em Disa começou. Fui levada pelos atacantes, todos vestidos de uniforme. Também levaram outras raparigas e fizeram-nos andar durante três horas. Durante o dia éramos espancadas e diziam-nos: “Tu, mulher preta, nós vamos matar-te, tu não tens deus.” . Durante a noite fomos violadas várias vezes. Os árabes guardavam-nos com armas e não nos deram comida durante três dias.”
Actos contundentes e de enorme execrabilidade tornam-se cada vez mais insinuantes em contextos bélicos e transfiguram a Violência Sexual numa verdadeira arma letal de guerra, cujas consequências para a vítima são irreversíveis. A desvalorização atribuída à figura feminina, a estigmatização social e/ou sentimentos de culpa, medo, insegurança da vítima tornam-se impeditivos na denúncia deste crime, pelo que os seus perpetradores permanecem isentos de qualquer punição.
Até quando continuaremos a assistir à coisificação sexual da mulher?!
Anabela Santos
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One Comment

  1. A violação de mulheres tem sido cada vez mais utilizada como um outro tipo de arma a ser utilizado em tempos de guerra, uma vez que é precisamente nestes períodos em que estas se encontram mais vulneráveis. Esta situação é vergonhosa, mas mesmo assim continua a acontecer e os criminosos parecem ficar impunes. Infelizmente, este é o mundo em que vivemos. Contudo, acredito que aos poucos poderemos alterar alguma coisa e é através deste tipo de iniciativas (destes blogs)que nasce aquela sementinha, a da acção, vamos fazer algo, vamos dar o contributo que nos é possível. Parabéns pelo blog!!


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