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A tendência para desvalorizar o corpo da mulher e transformá-lo num mero objecto sexual é evidente, mas descurada.
Quando o tema vem a lume, seja nas conversas de café entre amigos, seja nos meios de comunicação social, o tom de ligeireza e a superficialidade com que é tratado revestem-no de pouca ou nenhuma seriedade. Na maioria das vezes, reportam-no, exclusivamente, para a exposição desmesurada dos corpos femininos nos spots publicitários ou nas ditas revistas masculinas, que os metamorfoseiam em objectos capazes de despertar a libido em meia dúzia de rapazinhos imberbes e nos milhares de adultos viris (de resto, notória tentativa de imbecilizá-los!).A vulgarização dos corpos em locais e contextos inoportunos já é, só por si, preocupante, na medida em que ofusca a inteligência e idoneidade da mulher, reduzindo-a a um simples “pedaço de carne”! Todavia, a sua desvalorização e a consequente coisificação sexual do seu corpo adquirem proporções mais dramáticas quando se traduzem em assédio sexual, prostituição, tráfico humano ou estupro.

Assédio sexual: acerca deste tópico, atente-se n.os 1, 2 e 3 do artigo 24.º do Código do Trabalho português aprovado pela Lei n.º 99/2003, de 27 de Agosto.

1 – Constitui discriminação o assédio a candidato a emprego e a trabalhador.
2 – Entende-se por assédio todo o comportamento indesejado relacionado com um dos factores indicados no n.º 1 do artigo anterior, praticado aquando do acesso ao emprego ou no próprio emprego, trabalho ou formação profissional, com o objectivo ou o efeito de afectar a dignidade da pessoa ou criar um ambiente intimidativo, hostil, degradante, humilhante ou desestabilizador.
3 – Constitui, em especial, assédio todo o comportamento indesejado de carácter sexual, sob forma verbal, não verbal ou física, com o objectivo ou o efeito referidos no número anterior.

O assédio sexual no local de trabalho nada tem a ver com comportamentos sedutores por parte do empregador em relação ao empregado (geralmente, do sexo feminino). Pelo contrário, adensa a discriminação com base no género, já que inferioriza as capacidades da mulher no exercício da sua profissão. É um crime e deve ser denunciado!

Prostituição: são milhões as mulheres que, por razões diversas, ingressam no mercado de compra e venda de corpos humanos. Profissão ou solução provisória?! Enquanto a controvérsia persiste, o mercado expande-se.

Tráfico humano: uma percentagem significativa das vítimas de tráfico humano é do sexo feminino. São ludibriadas com falaciosas promessas de emprego ou estudo no estrangeiro e coagidas a prostituírem-se.

Estupro: consiste no acto de físico de coagir uma pessoa a ter relações sexuais sem o seu assentimento, pelo que se reveste de violência, ameaças e chantagem.
Em contextos bélicos, a violação transfigura-se num instrumento privilegiado de intimidação, humilhação, obtenção de informações, recrutamento de soldados e de “limpeza étnica” ou genocídio.
Gang rape é outra forma de estupro. Consiste na violação de uma mulher por diversos homens conhecidos ou desconhecidos. Ocorre, com maior incidência, em espaços como colégios, faculdades e discotecas, comummente tendo como agressor e vítima jovens.
A violação perpetrada pelo cônjuge – violação marital – por vezes, minimizada pelo facto de ocorrer entre os parceiros sexuais, assume-se igualmente como uma forma de estupro preocupante.

Expostos inadequadamente, comercializados, traficados e violados… Enfim, inúmeros e flagrantes são os exemplos da coisificação ou conversão dos corpos femininos em objectos sexuais. Escassas e subtis são as vozes que alertam para esta pungente realidade.
Só não vê quem não quer, os indícios estão em toda a parte!

Anabela Santos

3 Comments

  1. Bem, já estava a sentir a falta dos vossos posts!
    De facto, a coisificaçao do corpo da mulher é algo cada vez mais flagrante. São também variados os crimes que se cometem contra as mulheres e jovens raparigas (crianças até). Os que vocês colocaram são os mais ‘conhecidos’ pela sociedade, mas infelizmente não são os únicos.
    Fico à espera de mais posts (mas não deixem de aproveitar estes dias de descanso).

  2. ola anabela:). Antes de mais congratulo-te por estes excelentes textos. Articulam uma serie de tematicas fundamentais em torno de uma problematica historico sociologica: a Carnalizaçao do Mundo e a mulher tornada objecto,um verdadeiro instrumento tomado, injustificadamente, por parte de crimonosos sexuais. Reitero o teu pensamento: a mulher é tornada coisa publica nas maos de privados, ou seja, a mulher é cada vez mais exposta por um serie de campanhas de audiovisuais e imprensa que, erroneamente, consentem personificaçao da mulher. Isto é, se ambos, homem e mulher sao feitos à imagem de si mesmos,porquê deturpa-la e dar lhe uma outra condiçao?! O sistema falocratico e patriarcal agravam, em muito, o criterio de desigualdade nao apenas sexual mas tambem social. As que se casam sofrem maus tratos, segundo os dados estatisticos e as que pretendem ter uma perspectiva independente são vistas como: “as solteironas”, “as lesbicas” ou “as mulheres dos que ninguem quer”. Até quando este estigma, esta representaçao sem sentido?! Cidadania nao creio que haja. As mulheres são coisificadas, são instrumentalizadas,são estendidas num verdadeiro esgoto de marginalizaçao. Mas acredito vivamente que os homens querem ser donos de uma vida que não a têm. Ou seja, tomando como exemplo o fenomeno estrutural da prostituiçao alguns individuos do sexo masculino falam na venda do corpo de uma mulher, reduzindo-a material e instrumentalmente a um objecto de prazer mal tratado. Mas creio que depois da transacçao sexual elas continuam a ser donas do seu corpo, “prestam um serviço tal como quem vende a voz”. Nos termos da Sociologia, estamos perante um sistema fechado de valores nao consensuais, em que a partilha é apenas material, de enclausuramento simbolico e o sistema representa-se tambem pelo conservadorismo, pela Carnalizaçao do Ocidente. Numa campanha na Africa do Sul, a tematica lançada foi: ” A rosa tem espinhos” na tentiva de realçarem a marginalizaçao, o comportamento desigual de genero e algumas mencionavam nostalgicamente: “Andamos confusas à procura da nossa identidade e negamos uma resposta a nós mesmas porque as mulheres recusam-se a ser vitimas da sua condiçao sexual…” Ate quando?!

  3. Anabela, desde já agradeço a visita ao meu recém-nascido blog e o comentário. O “Humanidade Desumana” não se trata de um blog feminista (mas poderia muito bem sê-lo). Neste blog pretendo reflectir, e fazer com que reflictam, sobre muitas DESUMANIDADES que são cometidas e que não vitimam apenas as mulheres.

    Tal como disse François Rabelais: “A ignorância é a mãe de todos os males”, daí que dando a conhecer estas atrocidades que se vão praticando pelo mundo fora, talvez os males sejam menores. E, para isso muito podem contribuir os nossos blogs e outros que porventura surgirão.


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