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A União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), uma organização não governamental “empenhada em despertar a consciência feminista na sociedade portuguesa”, acaba de completar três décadas de luta e dedicação a uma causa que ainda não foi plenamente conseguida: a Igualdade de Género. A vice-presidente da associação, Maria José Magalhães, desmistifica o conceito de feminismo, esclarece o papel dos seus apologistas e avalia a expressão do movimento feminista em Portugal numa entrevista concedida ao ‘O Mal da Indiferença’.1. O que é ‘ser feminista’?

M.J.Magalhães: Existem muitas definições de feminismo, mas habitualmente eu uso uma que vai buscar a Karen Offen: é uma perspectiva sobre o mundo e sobre a vida que inclui três dimensões – a dimensão teórica e de investigação, a dimensão de movimento social e a dimensão de ideologia. Na base desta perspectiva, está a importância de considerar que as mulheres têm sido e continuam a ser discriminadas, subordinadas ou oprimidas em relação aos homens e a consideração da necessidade de mudar este estado de coisas. É, no entanto, uma perspectiva plural, isto é, alberga no seu seio diferentes posições e propostas estratégicas de mudança para a transformação social da desigualdade de género.
Neste sentido, ‘ser feminista’ é, como eu afirmo no meu livro, de alguma forma concordar que existe esta desigualdade e considerar que é preciso ser alterada. Não significa, no entanto, que ser feminista exija necessariamente que se integre algum grupo de acção (mais ou menos político, mais ou menos cultural). Pode ser-se feminista, sem ser activista. Também não é restrito a mulheres. Os homens também podem ser feministas, tal como os brancos e as brancas podem ser anti-racistas, e as/os empregadores/as podem ser marxistas. Também não é necessária maior coerência nas atitudes e na vida do que as pessoas não feministas. Todas/os nós somos, por vezes, incoerentes com os princípios e a filosofia de vida que defendemos. No entanto, considero que é importante a pessoa assumir-se como tal. Ou seja, se a pessoa não se assume, parece-me difícil considerá-la como tal. Mais ainda, considero importante também o reconhecimento de mulheres (e homens) que, na história, têm contribuído para a melhoria do estatuo social das mulheres e a valorização dos contributos e das especificidades das mulheres (sobretudo de mulheres concretas e reais, e não das noções abstractas e idealizadas de mulher). Finalmente, o reconhecimento das formas de discriminação, de opressão e subordinação das mulheres, deve elucidar-nos sobre os mecanismos pelos quais as mulheres são habitualmente prejudicadas, e, nesse sentido, considero que é importante que as/os feministas não se armem em moralistas ou educadores/as do que quer que seja e sejam mais duros com as mulheres do que são com os homens, em termos da crítica às suas actuações e das exigências ao seu desempenho.
Anabela Santos

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