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Entrevista ao Director Técnico do Lar S.José Serafim GonçalvesO Lar S. José, em Braga é uma insituição Particular de Solidariedade Social, que conta com 45 crianças e jovens, entre 6 e os 21 anos, Os jovens são acolhidos no lar devido a problemas familiares. O director Técnico Serafim Gonçalves aceitou responder as questões d’ O Mal da Indiferença sobre o funcionamento da instituição.

1. De onde provém o financiamento do lar?

Temos um acordo com a Segurança Social que nos dá determinada quantia por cada miúdo que a instituição acolhe. Além disso, a nossa direcção considera que é importante a instituição autonomizar-se. Por isso, temos outros meios de financiamento: uma tipografia e um parque de estacionamento. Queremos, de facto, caminhar para a autonomização financeira.

2. O Estado português apoia convenientemente este tipo de instituições?O apoio que nós temos do Estado português é o acordo de cooperação que temos com a Segurança Social. Este auxílio não é suficiente e, por isso, a instituição recorreu a outros meios.

3. Recebe algum tipo de fundo privado ou voluntariado?Temos voluntários que prestam apoio académico, à música e ao teatro. Em termos de financiamento, temos donativos esporádicos.

4. Em que tipos de situações são encontradas as crianças que são retiradas do núcleo familiar?Situações de risco, sempre! O trabalho de sinalização junto da família da criança que esta em perigo é feito pela comissão de protecção ou pela segurança social, em coordenação com o tribunal. A nós simplesmente nos fazem o pedido de acolhimento da criança na instituição e perante a observação que a equipa técnica faz do pedido, referimos ou não o processo de admissão da instituição. Temos miúdos provenientes de famílias que apresentam muitos problemas: álcool, drogas, prostituição ou mesmo tudo associado. O problema charneira que cá temos caracteriza-se pelo álcool. Existe alguns com pais toxicodependentes, fracas condições de habitabilidade, famílias numerosas que não prestam os cuidados básicos aos filhos. Tivemos casos de meninos com dez anos que praticamente nunca tinham ido à escola.

“Nós somos uma instituição aberta, sem muros, os miúdos têm escola no exterior.”

5. Como é que decorre o processo de admissão e integração de jovens no Lar?

É um dos processos mais pensados pela instituição. O processo de admissão esta ligado intrinsecamente ao processo de integração. O miúdo tem de ter determinado perfil para ser internado na nossa instituição. Nós somos uma instituição aberta, sem muros, os miúdos têm escola no exterior. Para que a integração do miúdo não seja demasiadamente atroz, procuramos que a sua integração seja feita na nossa colónia de férias porque é um ambiente mais informal e as regras são mais elásticas. Quando chegam à instituição, em Setembro, já a instituição e os colegas não lhes são estranhos. Quando isso não é possível, procuramos sempre conhecer a família e o miúdo na família. É dramática a situação em que os miúdos chegavam à instituição em jipes de polícia.

6. Quais são os principais problemas psico-sociais manifestados pelos jovens internados?
É difícil de catalogar porque cada caso é um caso, cada jovem é um jovem. Talvez estabilidade emocional. As vezes temos alguns casos também com problemas de relacionamento, o saber estar. Mas eu prefiro realçar sempre os aspectos positivos, acho que é muitas vezes os aspectos positivos que nos vamos conseguindo esbater aqueles que são menos positivos.

7. As crianças na escola sofrem algum tipo de discriminação?Acaba por existir sempre discriminação, principalmente quando não há um trabalho dentro da própria escola. A escola deve ter alguma sensibilização para estes miúdos. Neste momento, nós procuramos dar aos nossos rapazes aquilo que a maior parte dos pais procura dar. Os nossos miúdos estão em escolas de futebol, de basquetebol, piscina e tudo isto decorre em horário pós-estudo.

A grande maioria das pessoas que trabalha neste tipo de instituições esforça-se para ajudar estes rapazes. “

8. Acha que esta estigmatização vai influenciar o percurso do adolescente?Qualquer estigmatização influencia sempre negativamente alguém. Acho que ninguém é indiferente quando sente que está a ser avaliado porque apresenta um determinado quadro.

9. Como é que se relacionam os jovens entre si? Há registo de comportamentos violentos?Esporadicamente. Nada de anormal relativamente aos outros miúdos. Aquela violência que se fala por aí não existe cá. Os focos da comunicação estão voltados para este tipo de instituições por causa do processo Casa Pia e da Oficina São José do Porto como se todas as instituições fossem um bando de malfeitores. Isto não é verdade! É evidente que foi importante descobrir o caso da Casa Pia mas depois o tema foi demasiadamente explorado. Alguns miúdos de cá disseram-me que na escola lhes perguntaram se aqui também havia bibis! Isto é dramático e revela uma falta de sensibilidade tremenda. A grande maioria das pessoas que trabalha neste tipo de instituições esforça-se para ajudar estes rapazes.

10. Quais são as dificuldades encontradas pelas crianças quando saem do lar para entrar no mercado do trabalho?

Para cada jovem que cá chega existe toda a uma equipa técnica de orientadores, psicólogos, directores técnicos e educadores. Estes fazem um diagnóstico da situação de cada menino e traçam um perfil do futuro do jovem. Há sempre um acompanhamento por parte da instituição junto da entidade patronal. Há uma sensibilização por parte dos responsáveis junto da entidade patronal no sentido de lhes dar o maior conhecimento possível sobre a forma com possam ajudar o jovem. Existe as vezes uma pequena estigmatização por ser um menino da oficina S.José! No entanto existe também um dever espontâneo, há entidades patronais que estão disponíveis a receber meninos.

Sylvie Oliveira
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