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A globalização, segundo uma amalgama de teóricos, atenuou o patriarcado. No entanto, muitos dados demonstram que os papéis das mulheres na sociedade não se têm transformado e portanto considera-se que a globalização apesar de ser um processo totalmente positivo, para as mulheres tornou-se problemático. A globalização, no actual processo de internacionalização da economia, no qual os países possuem os seus desenvolvimentos económicos condicionados aos ajustes estruturais orientados pelas instituições económicas e pelo mercado de capital, agrava as situações de desigualdade social e de género, perpetuando mecanismos de discriminação e exclusão de amplos segmentos da população.
As mulheres imigrantes são aquelas que passam, na sua maioria, por um processo designado de feminização da pobreza. Este conceito está associado ao processo de globalização, para destacar que existe maior incidência de pobreza entre mulheres imigrantes que entre homens; que a pobreza é mais severa entre mulheres que entre homens; que existe uma tendência ao aumento da pobreza entre mulheres, associada, particularmente ao crescimento das taxas de domicílio das mulheres.
De facto, a emigração, que num princípio pode ser uma experiência emancipadora, pode chegar a escravizar ainda mais à mulher. Ser emigrante é ainda mais duro se se é mulher. Às dificuldades que têm que superar à hora de construir uma vida fora de seu país natal, a mulher tem de adicionar outras condicionantes que só afectam a seu sexo. Esta é a conclusão geral que se pode extrair do ‘IV Seminário de Antropologia. A mulher emigrante’. Algo que em princípio contrasta com a realidade de uma das motivações iniciais da mulher imigrante que ao sair de seu país aspira a uma emancipação, a uma mudança de status, sendo este um dos motivos para que se decidam a isso. No entanto, o que deveria ser, e em si o é, uma experiência liberalizadora, pode chegar a escravizar ainda mais à mulher, a enfrentá-la a novas e mais tenazes desvantagens. A socióloga Aparicio baseou a sua interpretação em dados que demonstra – “a distância entre a formação educativa e académica e o tipo de trabalhos que depois se desempenha no país de origem é muita maior no caso da mulher que do homem”.
Tal como considerava um entrevistado, emigrante português, a residir no Brasil: “ Há uma grande diferença entre emigrar um homem e uma mulher. As mulheres não têm tanta facilidade, porque são mães e os filhos precisam da guarda delas. Na minha altura, a minha mulher foi só para o Brasil, porque eu lhe consegui arranjar emprego, senão ficava em Portugal a tratar das filhas, como estava antes. Emigravam mais homens que mulheres, pois pediam mão-de-obra mais pesada e as mulheres são mais fracas.”
Ana Ferreira

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