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Maria Filomena Mónica, escritora e investigadora reflexiva dos problemas sociais e sociológicos, enfrentou o plano ideológico convencional ao cristalizar o percurso histórico, sociológico e antológico de uma sociedade ,vincadamente, marcado por uma severa desigualdade seja nos termos políticos, estatais ou governamentais, seja nos termos de género.
A radicalização da sua visão não deixa de ter sentido, porque a fragmentação do comportamento de género é assumida pela dominação e ingenuidade do sexo feminino, ao longo da história da vida social, assim como, pela consequente afirmação da diferenciação de género e da identidade constituída a partir da ruptura emancipatória feminina.
Por conseguinte, forma-se uma espécie de ideologia-utopia, pois ultrapassa o campo das ideias e representações legítimas de um grupo diferenciado e projecta o subgrupo dominado (feminino) para a determinação da sua posição social, cujas estratégias de acção, denotam discordâncias com a realidade actual, que orienta, tradicionalmente, a estrutura de género. Assim, com base nas relações de força, as mulheres determinadas pela sua consciência deformada, ocupam a posição de dominadas. Atentemos nos escritos parafraseados, pela historiadora:
1. “(…)as revelações das jovens serviram para me mostrar que as novas gerações femininas, pelo menos as da classe média, não têm a vida mais facilitada do que eu a tive há quarenta anos. Por um lado, (..) a ideologia dominante sobre a função da mulher alterou-se menos do que eu pensava.”
2. “A quase totalidade dos portugueses (93%) considera que, num casal, tanto o homem quanto a mulher devem trabalhar fora de casa, mas um número impressionante (78 %) diz que uma criança pequena sofre quando a mãe trabalha. Cerca de metade da população afirma que as mães se deveriam abster de trabalhar quando têm filhos com menos de seis anos. Ora, devido aos salários reduzidos da maioria dos trabalhadores masculinos, Portugal possui a mais alta taxa de emprego feminino da Europa, uma situação que só pode conduzir a que as portuguesas vivam em estado permanente de culpabilidade.”
3. “Algumas das jovens,(..),declararam conformar-se com a distribuição do trabalho vigente, chegando a dizer que “nós nunca nos zangamos por causa das tarefas domésticas”, continuando a lavar a roupa, a passar a ferro e a mudar fraldas, como se os filhos não fossem responsabilidade de ambos.”
4. “Apesar das minhas resistências iniciais, acabei por admitir que existe um laço afectivo diferente entre a mulher, que teve de carregar um feto na barriga durante nove meses, e o homem que se limitou a depositar nos ovários um montinho de espermatozóides. Mas isto não explica a exploração a que as minhas compatriotas são sujeitas, não só pelos maridos, como por uma sociedade que continua a atribuir-lhe todos os males contemporâneos, do consumo juvenil da droga à anomia cerebral dos alunos.”
5. “Algumas raparigas ainda parecem pensar que a sua única função no Universo consiste em desempenhar os papéis de esposas devotadas, seres paranoicamente ocupados com a limpeza do pó e mães tão excelsas quanto a Virgem Maria.
6. “É por isso que a luta tem de continuar. Não sei se sou “feminista”, nem me interessa debater a questão terminológica. Sei que sou contra todas as injustiças e, entre elas, contra a ideologia que nos quer manter encerradas numa Casa de Bonecas.

“Quem luta, tem direitos; quem se resigna, fica de fora.”

 

Ana Ferreira

(anarafaelaferreira@gmail.com)

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