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São três da manhã, pulo de site em site à procura de respostas, mas não encontro nada que me elucide verdadeiramente. As questões latejam na minha mente e impõem-se pungentemente: onde estão eles e elas que ninguém os encontra?
Onde estão as mulheres em subnutrição, agredidas, violadas consecutivamente, obrigadas a colocar algodão na vagina para reter a menstruação? Onde estão os homens cuja força de trabalho é explorada e a sua própria vida acorrentada e escravizada pelas forças capitalistas? Onde estão as milhares de vítimas de tráfico humano? De Norte a Sul de Portugal, há casas que encobrem a aguda realidade do tráfico de seres humanos, mas não consigo vislumbrar os seus sinais em parte alguma.

Há muito que procuro quem me esclareça, mas parece existir uma cortina que impede que o conhecimento chegue ao comum dos mortais. Envio mails para algumas entidades a solicitar um esclarecimento mais profundo sobre o tema, tentativas que malograram e me retêm na ignorância.
Num encontro com uma socióloga da Cruz Vermelha, descubro mais pormenores, porém, insuficientes. Quando mostro intenção de investigar o tema mais detalhadamente, adverte-me para não o fazer. Assevera que é um universo demasiado perigoso e a melhor solução é deixar as entidades legitimadas combatê-lo. Não posso deixar de reconhecer que, em certa medida, tem razão. Todavia, a vontade de desbravar o tema e a sede de Justiça espicaçam-me.
Outro pensamento assalta a minha mente: há bastante tempo que se reúnem esforços para combatê-lo na Europa e, paradoxalmente, é um fenómeno em crescimento! O que falha no sistema de combate? Quem é que beneficia com a expansão deste crime? Por que razão não há campanhas nos média a consciencializar a população?
Esta é outra questão que me instiga alguma revolta. Lembro-me de um spot televisivo a alertar para o tráfico humano. Esteve algum tempo no ar e, repentinamente, foi banido. Por que motivo desapareceu? Recordo-me ainda de um documentário com apresentação de Angelina Jolie, transmitido em 2005, pela RTP. Foi a primeira vez que assisti à abordagem deste tema na televisão portuguesa. Desde então, nada mais encontrei!
Os média divulgam o desmantelamento de redes de tráfico de droga mas não me recordo de terem feito em relação ao tráfico de seres humanos. Esporadicamente, surge uma notícia a dar conta de uma rusga a uma casa de alterne, com uma leveza e brevidade que me ensandecem. Ah, claro, não interesse. É muito mais importante dar ênfase à saída do Sabrosa do Benfica!
A Internet fornece muitas informações acerca do assunto, mas quase nenhumas sobre o tráfico em Portugal. Leva-me a levantar duas hipóteses: não há informação ou simplesmente não é divulgada. Porquê?
Reitero a minha questão fundamental: onde estão elas e eles?
Perto, pertíssimo de nós e, ao mesmo tempo, tão distantes!
Anabela Santos

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