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“…ela pode ver os seus pezinhos, que à filha lavava, à beira de uma água corrente. Agudos os olhos, no susto de um roubado momento, e era como se os tivesse beijado: nunca antes soubera que pudesse haver uns pezinhos assim, bonitos, alvos e rosados, aquela visão jamais esqueceria…de uns pezinhos e um corpo assim:quente e seu. Para além de uma mãe, surgira uma amante.”

Inserindo-as numa estrutura dinâmica, muitas crianças são envolvidas em práticas de abuso e de sedução sexual, por parte dos seus progenitores, passando a fazer parte, involuntária e forçosamente, de uma “máquina de teatralidade”, de cariz sexual. Neste sentido, falamos de incesto seja maternal, seja paternal. Muitos homens e mulheres movidos pela prostituição, pela obsessão da prática sexual, pela fragilidade de uma relação conjugal e de um consequente desejo de responder à sua vontade naturalista (sexual) excitam-se, enquanto abusam e submetem seres indefesos, a comportamentos eróticos, reprimindo-os sexual e psicologicamente. Os agressores perturbam, frequentemente, a personalidade das vítimas com palavras, gestos e insinuações de sedução sexual. Aqui, podemos falar de uma forma de violação simbólica, levada ao extremo, apesar de muitos pais não sentirem a gravidade dos seus actos, já que a sociedade confinou a expectativa do desempenho de papéis que passam pela protecção e apoio aos filhos e como tal é fácil camuflar tais comportamentos indignos.
Na realidade, as cenas de sedução sexual não saem tão cedo da lembrança quanto as crianças esperavam, assim muitas, das mesmas, apresentam durante toda a sua vida um sofrimento óbvio, desvios e bloqueios sexuais ou mesmo comportamentos auto-destrutivos seja a nível psicológico, seja a nível sexual.
Segundo Freud, o complexo de Édipo é superado e normalmente é resolvido quando a criança abandona a fantasia incestuosa, ou seja, quando há uma transformação universal e radical do Ser Humano, em que a relação dual dá origem a uma relação triangular e familiar: pai-mãe-filhos. No fundo, dá-se uma espécie de passagem de uma relação imaginária a uma relação imediata que regista, simbolicamente, a interiorização de regras, valores, normas e morais incutidas pela função socializadora dos pais. No entanto, se os pais não são socializados, no sentido do equilíbrio sexual e social, desregulam a ordem social e prolongam a “lenda” do incesto parental. De facto, este jogo ganha um contorno erótico, não permanecendo ao nível da ternura. O agressor nem sempre é visto como psicologicamente perturbado.
Basta de perturbações incrédulas. Basta de injúrias. Basta de exploração sexual!
Ana Ferreira

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