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Incontornável feminista do século XIX, Lucy Stone recusou a adopção do sobrenome do marido aquando do seu casamento e tornou-se na primeira norte-americana a manter o seu maiden name.
Nascendo num berço que apenas reconhecia a autoridade do patriarca, Lucy Stone pugnou arduamente para se instruir e para se fazer ouvir. Contornou todos os obstáculos que o patriarcado lhe impôs, sem, porém, conseguir conter os seus impulsos revoltosos. Na ‘Mística Feminina’, Betty Friedan conta-nos que Lucy “revoltou-se quando erguia seguidamente a mão nas reuniões paroquiais e o seu voto não era contado”. Mas nada, nada foi suficiente para a dissuadir de “lutar não só pelos escravos, como por toda a humanidade sofredora, e especialmente pela exaltação do seu próprio sexo”.
Começou por praticar os seus discursos nos bosques, de um modo discreto, para conter tentativas de silenciamento e outras repreensões do patriarcado. A obstinação levou a sufragista a discursar sobre a abolição do sistema esclavagista e a apologizar os direitos das mulheres, “enfrentando e dominando homens que a ameaçavam com cacetes, que lançavam contra ela ovos e livros de oração”.
Considerando que “o casamento é para a mulher um estado de escravidão” – asserção que recolhe a anuência da minha pessoa! –, Lucy Stone enamorou-se de Henry Blackwell e ambos contraíram matrimónio. Todavia, Stone rejeitou o sobrenome do seu marido, mantendo o seu apelido de solteira. Lucy e Henry não se casaram sem antes estabelecerem, por escrito, um acordo que rompia com a subordinação feminina/hegemonia masculina que a lei vigente aplaudia:
“Depois de reconhecer a nossa mútua afeição assumindo publicamente a relação de marido e mulher… consideramos um dever declarar que este acto não implica, de nossa parte, em nenhuma sanção ou promessa de obediência voluntária às actuais leis do casamento, que não reconhecem a esposa como um ser independente e racional e conferem ao marido uma superioridade injuriosa e contra a natureza”.
Embora a sua história e percurso no feminismo se tenham desenvolvido no século XIX, a questão da adopção do sobrenome do marido pela mulher aquando do casamento mantém-se discutível. Na França e nos países anglo-saxónicos, é frequente a mulher abdicar do seu ‘maiden name’ e adoptar o sobrenome do marido. Porém, há cada vez mais mulheres a acrescentarem o apelido do cônjuge, sem renunciar ao seu sobrenome de solteira. Em Portugal, a mulher não tem de prescindir do seu sobrenome, podendo acrescentar o do marido se assim o desejar. O homem também tem essa possibilidade, embora sejam poucos a adoptar o sobrenome da esposa.
Pessoalmente, não compreendo a necessidade de alguém adoptar o sobrenome do cônjuge aquando do casamento. O apelido é insubstituível, inocultável, insubmergível e inalienável (transmissível somente à descendência!). Renunciar, acrescentar o do cônjuge é defraudar a identidade individual.
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