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Esta afirmação vindo de uma pessoa que se assume há já alguns anos como feminista pode parecer estranha.
O feminismo morreu! Será que esta afirmação tem assim tão pouco sentido? Das várias opções posso destacar duas: ou já não existem feministas ou então todos os combates pelas quais os nossos antepassados lutaram foram conseguidos? Gostaria que fosse a segunda opção mas infelizmente por mais que goste da primeira parece-me mais adequada.
Sinto-me cansada de repetir, mas é verdade. NÃO, a mulher ainda não conseguiu a tão desejada igualdade.
Então fica a dúvida onde estão as feministas ou onde estão as mulheres? Infelizmente ser mulher não é sinónimo de ser feminista, pelo contrário.
Na verdade, na maioria dos países as mulheres têm direito à liberdade de expressão. Mas onde estão os discursos sobre a condição feminina? Pelo contrário, este direito é muitas vezes usado para denegrir o feminismo e a sua utilidade, é utilizado para reivindicar a falsa igualdade entre os sexos e para congratular a nossa condição de “mulheres modernas” que tem todos os direitos.
Sim, sinto-me cansada de ouvir as mesmas reflexões sobre o feminismo: “Já não faz sentido”, “já fui feminista mas deixei de ser”, “não, eu gosto de homens”, “não sou feminista, sou feminina”, ou a pior de todas “eu feminista, não, eu sou pela igualdade”.
Será preciso voltar a explicar o que é o feminismo? Será preciso citar as expectativas e as vitórias das feministas ao longo dos tempos?
Será preciso novas greves de fome à imagem de Emmeline Pankurst ou Emily Davison para que se volte a iniciar um debate sobre a condição feminina mundial?
Onde estão as novas Simone de Beauvoir ou Betty Friedman?
As necessidades e o tempo mudaram, mas a urgência desta luta continua. O que será preciso para que todas as mulheres e os homens, já me contentava com as mulheres, percebam que a igualdade de direitos e de tratamento entre os dois género é infelizmente ainda uma prioridade?
Sinto-me cansada, mas não vencida. Por isso, repito e repetirei incansavelmente a urgência de abrirmos os olhos não somente às situações revoltantes de outros países, mas também olharmos para dentro das nossas casas, para os nossos vizinhos e amigos. A desigualdade infelizmente ainda está presente em quase toda a parte.
Tivemos o privilégio, graças a todas as heroínas da nossa história, de estudar de aprender a falar e a escrever correctamente. Por isso, vamos denunciar, reivindicar, escrever para que nunca o feminismo, de facto, morra. Enquanto houver uma mulher que seja discriminada, violentada, segregada, humilhada, o feminismo não pode morrer e o feminismo não morrerá!
Sylvie Oliveira
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3 Comments

  1. acho que o feminismo ainda nao morreu!!!!
    porque ainda ha pessoas como voces para que ele continua a existir!!!

  2. Seria fantástico se vivêssemos num mundo sem a premência do “ser, agir e pensar feminista”. Seria maravilhoso se não tivéssemos a necessidade de gritar estridentemente que a bandeira da Igualdade içada por tantos governantes e países não passa de um embuste! Tudo isso seria jubilante porque significaria que a Igualdade de Género estaria concretizada. Mas, chega de suposições e Condicional e falemos no Presente.

    O propósito de tod@s @s feministas é, de facto, banir, degolar, sepultar o feminismo! Porém, a presente realidade mostra-nos que ainda não é possível. Mesmo que queiramos velar e beijar o seu sepulcro, o Feminismo não pode morrer. Pelo contrário, este “espectro” que há muito paira sobre nós precisa de ser fortificado. Basta abrirmos um jornal, atentarmos nos comportamentos quotidianos de todos nós ou discorrermos sobre as nossas próprias concepções de homem e mulher para verificarmos que a sua morte está muito longe. Ao apologizarmos a tão almejada Igualdade, estamos simultaneamente a fortalecer o Feminismo e a contribuir para o seu definhamento. Clarificando: se fizermos algo para que a Desigualdade (ora latente, ora manifesta) seja terminantemente erradicada, a Igualdade de Género efectivar-se-á e o feminismo deixará de fazer sentido, sucumbindo. E é isso que todos queremos, não é?

    Por isso, àqueles que tanto abominam o Feminismo, àqueles que o consideram como um movimento rançoso, deprimente e injustificável, eu lanço o repto: juntem-se à luta pela Igualdade de Género e ajudem a enterrar o Feminismo!

    P.S: Partilho contigo o cansaço de reiterar sempre as mesmas ideais, uma exaustão que, por vezes, chega a tangenciar a vontade de desistir. Mas, tal como tu, há muito que o feminismo me impregna e é difícil fugir à minha natureza (e, neste caso, ainda bem que assim é:).

  3. No meu ponto de vista, muitas mulheres e homens, na sociedade de hoje têm comportamentos feministas, apesar de não se assumirem como tal, pois ainda têm receio, com algum enleio, de serem vistas como aquelas aqueles que querem manter a sua posição superior em relação ao sexo oposto. É lamentável e deplorável que muitas lutas feministas fiquem pelo caminho, com medo de represálias e de olhares exteriores que as perturbem.

    No entanto, a “revolução” não se faz com preconceito e com ideias pré-formadas ou pré-concebidas que irão deformar o sentido que muitas querem atribuir à sua luta. Todavia, muitas feministas não conseguem levar as suas “revoluções” avante, pois temem que a sua posição de mulheres fica rotulada como “a mulher dos que ninguém quer”, “a solteirona” ou mesmo “a lésbica”.
    O feminismo não morreu, ele existe e continuará a existir enquanto houver plena consciência de questões como a desigualdade de género seja em que domínios for e enquanto cada feminista proceder em favor da intervenção no combate a este flagelo e na manifestação dos direitos do homem, do direito à existência enquanto ser humano.

    Faz todo o sentido, nos dias de hoje, ser “impossível ver lutas emancipatórias sem um olhar de género, sem promover a participação das mulheres e assumir as suas reivindicações. As causas das mulheres fazem parte do processo de todos os movimentos sociais.”

    NUM MUNDO GLOBALIZADO COMO O HOJE FAZ TODO O SENTIDO ALIAR AS CAUSAS ÁS LUTAS, POR ISSO O FEMINISMO NÃO PODE MORRER DE VERGONHA.


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