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“Esta é uma história sobre mãos invisíveis.
Isto é uma história sobre o trabalho sem fim.
Esta é uma história sobre o trabalho das mulheres por manutenção e sobrevivência.
Esta é uma história sobre o trabalho de corpo da mulher na invisível economia feminina de produto e reprodução.
Esta é uma história sobre a repetição, o tédio, o exausto, a coação, a derrubada.
Esta é uma história sobre o peso, da repetição, a tensão do trabalho manual na velocidade das máquinas eletrônicas.”
O ciberfeminismo, entendido como uma praxis pós-feminista, vê-se como uma rede de um complexo território tecnológico e político. O mundo tecnológico foi, desde sempre, um domínio tradicionalmente masculino. De facto, a partir do dualismo clássico que fundamenta o pensamento e a construção social ocidental surge a ideia de que a mulher está associada ao instinto, à natureza e desta forma ao espaço privado da vida; enquanto que o homem à inteligência, à cultura, e portanto ao público.
No entanto, desde o século XIX, com a entrada maciça da mulher no mercado de trabalho, a dualidade acima referida entrou em conflito e em contradição, dada a sua ambivalência, não apenas no âmbito laboral, mas em dimensões mais abrangentes como a política, social e a cultural.
Assim, o feminismo tem demonstrado que a conquista do trabalho assalariado destorceu o mito criado pela feminilidade e em grande parte pelos fundamentos do patriarcado, fazendo com que as mulheres se tornassem seres mais activos, independentes e produtores, para além de reprodutores, apesar desta conquista não se manifestar de forma tão evidente. Desta forma, alguns feminismos têm levado adiante algumas das suas estratégias, incidindo numa alteração geral dos valores que sustentam as relações patriarcais ou de dominação masculina.
De todo o modo, o ciberfeminismo desenvolveu-se na base das mesmas apirações ou fontes, pois a entrada da mulher no mercado de trabalho ao exigir a conquista da palavra para uma circulação pública feminina, permitiu, também, o estabelecimento de uma rede de comunicação entre as mulheres. O meio social para além de possibilitar o desenvolvimento do discurso feminino e feminista, criou uma alternativa contracultural: os pensamentos feministas podem ser dicutidos de uma forma não institucional, por meio de um sistema que dissolve, desta forma, os papéis e as identidades convencionais incutidas ao género.
Na realidade, o ciberfeminismo lançou uma esfera de optimismo entre as mulheres, transformando-o num espaço e num território de desenvolvimento e manifestação sociocultural, simultaneamente.
Ana Ferreira
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