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O último congresso feminista realizado em Portugal – o 2º Congresso Feminista e da Educação – aconteceu há 80 anos. Em Junho de 2008, surge mais uma iniciativa para reunir os apologistas do Feminismo: o Congresso Feminista 2008, cujo propósito principal consiste em “dar mais visibilidade aos contributos e simultaneamente incentivar as mulheres na sociedade, na ciência, na arte, na literatura, na politica, nos negócios, no trabalho, na vida privada, na família”.

Não obstante os progressos efectuados nos domínios económico, social, jurídico e cultural, a Igualdade de Género ainda não foi plenamente alcançada. As amarras do patriarcado subsistem na hodiernidade, quer nos países desenvolvidos, quer nos países em desenvolvimento, fomentando concepções e acções discriminatórias e misóginas. Nesse sentido, importam a reflexão, o intercâmbio de ideais/opiniões e o debate e é, precisamente, o que o Congresso Feminista 2008 visa proporcionar aos seus participantes.

O Congresso Feminista 2008 realiza-se nos dias 26 e 27 de Junho na Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa) e no dia 28 decorre na Faculdade de Belas Artes (Lisboa). As inscrições estão disponíveis on-line e podem ser efectuadas AQUI!
Prazo para envio da intenção de apresentação das comunicações: 31 Março (referência a tema e título da comunicação.
Prazo para envio do resumo da comunicação: 30 Abril (Formulário)

Consulta o site oficial AQUI.
Anabela Santos
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One Comment

  1. Deixo-vos um texto que achei interessante.

    bjs

    Adriano (agir)

    As Mulheres dos Escombros da Crise

    Robert Kurz

    O capitalismo sempre foi, também, uma economia das relações entre os sexos. As mulheres são fundamentalmente responsabilizadas pelos “momentos dissociados da vida” (Roswitha Scholz) pela sociedade oficial. Isto vale não só no plano psico-social, no “trabalho do amor e do relacionamento” (a mulher adorno), ou no plano simbólico-cultural, em determinadas atribuições (a mulher ‘natureza’), mas também nas actividades materiais, dentro e fora de casa, vitais para a reprodução, mas que fogem à lógica da valorização do capital. Desde mudar as fraldas ao bebé e cozinhar em casa, até preparar o café no escritório ou arrumar tudo depois de um seminário: são tarefas quase sempre assumidas como próprias pelas mulheres em qualquer grupo. Mais de 90 por cento da educação monoparental é feita por mulheres.

    Esta separação sexual nota-se em todos os domínios da sociedade, não apenas na esfera privada. Na economia oficial, as mulheres são, em regra, mais mal pagas do que os homens, e, se quiserem subir, têm que produzir mais do que eles. Também se verifica que os sectores em que elas predominam são desvalorizados. Onde as mulheres nas últimas décadas entraram em massa, seja no sector público ou no privado, foram duplamente socializadas (Regina Becker-Schmidt), isto é, a dissociação dos momentos femininos da vida manteve-se, na forma de uma dupla carga (filhos e carreira, objecto de prazer e prestadora de serviços).

    Das ilusões pós-modernas fazia parte a esperança de que cada vez mais campos da reprodução quotidiana fossem socializados, através de sectores do estado social ou da actividade comercial, em prol de uma libertação das possibilidades femininas. Mas, na economia de crise desde o fim dos anos 90, o estado social recua nos sectores de cuidados e assistência (infantários, centros de dia para a terceira idade, oficinas para deficientes, etc.); e a crise no sector gastronómico é só um exemplo de como a “sociedade prestadora de serviços” se torna num Flop quando os rendimentos reais baixam. Tudo aquilo que Estado e Mercado já não conseguem segurar, volta a ser delegado na parte feminina da sociedade. As mulheres devem assegurar o funcionamento da economia sombra, na família, na vizinhança e noutros sectores não remunerados, para que se mantenha uma fachada de normalidade social burguesa.

    Esta situação está particularmente extremada nas favelas do terceiro mundo. Mais uma vez são as mulheres que, em projectos sociais auto-administrados e em organizações não governamentais (ONGs), asseguram em mais de 90 por cento dos elementos fundamentais da reprodução social, desde o saneamento básico até à organização do ensino escolar, com a ajuda de organizações estrangeiras de apoio. Nas favelas até já se fala, aqui e acolá, de uma “nova sociedade matriarcal”. Todavia o verdadeiro poder está quase sempre nas mãos de uma pura máfia masculina armada, cuja economia sombra assenta em drogas, armas e prostituição. Por seu lado o Estado contenta as ONGs femininas com esmolas e, em contrapartida, enaltece-lhes os valores morais. Tanto a máfia como a administração da crise utilizam as mulheres como “escapes” da mesma e atêm-se aos seus serviços sociais voluntários ou miseravelmente remunerados.

    Quanto mais a crise avança, menos atenção se dá à temática da questão sexual nos movimentos sociais, embora as mulheres sejam, de novo e cada vez mais, alvo de agressão física por parte de homens, entretanto mais inseguros do seu estatuto. Enquanto isso os municípios cortam os subsídios às casas de apoio às mulheres. Quanto mais aflitiva é a situação, mais casos surgem de queixas de assédio nas empresas e instituições, sendo as mulheres as principais vítimas. Até em grupos teóricos de esquerda mulheres rebeldes com capacidades mais que provadas foram “simpaticamente convidadas a sair”. Por isso não nos devemos admirar se num futuro próximo surgir, também na esquerda, um novo levantamento das mulheres, por não quererem deixar que as transformem em meras mulheres dos escombros, moralmente incensadas, da crise capitalista.

    Original TRÜMMERFRAUEN DER KRISE in Neues Deutschland 21.01.2005. Tradução Virgínia Freitas/Boaventura Antunes

    http://obeco.planetaclix.pt/

    http://www.exit-online.org/


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