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Depois de uma rápida navegação pelo ciberespaço, uma ilação emergiu, de imediato, na minha mente: a originalidade (leia-se: imbecilidade) dos publicitários continua a abundar! A recentíssima campanha da cerveja Tagus – “Orgulho Hetero” – é exemplo disso mesmo.
Com efeito, a cerveja promete desenvolver o conceito de orgulho heterossexual e “promover o convívio entre jovens do sexo oposto”, no sentido de construir uma “pequena comunidade virtual – o Hi Hetero”. Primeiramente, gostaria que alguém dos bastidores da campanha me esclarecesse acerca da definição de “orgulho heterossexual”. De seguida, gostaria que esse mesmo indivíduo me explicasse a razão pela qual segmenta os consumidores entre homossexuais e heterossexuais.
Inequivocamente, a cerveja Tagus brinda-nos com um conceito pobre, estéril em propósito, criatividade e profissionalismo. Está convicta de que concebeu uma campanha “surpreendente” e “inédita”. Indubitavelmente! “Surpreendente”, porque é tal a estupidez condensada que ninguém fica indiferente. “Inédita”, porque, não obstante os muitos exemplos de pouca mestria das agências de publicidade, não me recordo de uma campanha tão ridícula. Numa linha: o “Orgulho Hetero” não é uma campanha publicitária; é, em si mesmo, um incitamento à homofobia. Além disso, subestima a inteligência dos heterossexuais, dando por certo que vão corroborar a sua estratégia homofóbica.
Não foi há muito tempo que a docente de Teorias de Publicidade esclarecia os alunos (nos quais me encontrava) acerca do Código da Publicidade português. Dentre os inúmeros pontos, recordo-me de alguns pontos que, neste contexto, assumem toda a relevância. O artigo 12º do Código estabelece que “é proibida a publicidade que atente contra os direitos do consumidor”. Ora, a campanha “Orgulho Hetero” fomenta manifestamente a discriminação baseada na orientação sexual; corrói os direitos dos consumidores homossexuais, reduzindo o valor da pessoa humana à sua orientação sexual.
Nesse sentido, devem ser accionados os instrumentos legais para responsabilizar os devidos envolvidos. No que concerne à assunção de responsabilidades, o Código da Publicidade consigna, no artigo 30º, que os anunciantes, profissionais e agências de publicidade e outras entidades adjacentes “respondem civil e solidariamente, nos termos gerais, pelos prejuízos causados a terceiros em resultado da difusão de mensagens publicitárias ilícitas”.
Imagens retiradas de Panteras Rosa
Passa por AQUI!
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4 Comments

  1. Ser do “Orgulho Hetero” é ser homófobo? Então participar nas paradas Gay pride é ser heterófobo!…
    OK, percebi tudo…
    Adoro que estas campanhas publicitárias, como a da Tagus, surjam para fazerem aparecer em cena “assanhados(as)” como a autora deste blog. Que, inteligentemente, “faz o jogo” que o publicitário quis que alguém, fosse quem fosse, fizesse…
    Apetece dizer como o “outro”… LOL!!!
    Get a life!…

  2. Caro Zeca Valeiro,

    De forma a dissipar as suas dúvidas sobre a questão abordada neste texto, esclareço o seguinte: não encaro o facto de ser do “Orgulho Hetero” como uma atitude homofóbica, muito embora não compreendo a sua pertinência.

    O grande problema consiste no facto do tal “Orgulho Hetero” surgir no contexto de uma campanha publicitária de um produto que se destina a todos os cidadãos, independentemente da sua orientação sexual. Como deve saber, as agências de publicidade, aquando da concepção de uma campanha, regem-se por um Código, o qual proíbe terminantemente qualquer tipo de produtos publicitários discriminatórios. A campanha da Tagus faz apologia ao “Orgulho Hetero”, estabelece uma diferenciação entre os seus consumidores baseada na orientação sexual, aflorando ímpetos de homofobia.

    Além disso, caro Zeca Valeiro, não se engane a tentar equiparar a campanha “Orgulho Hetero” às paradas “Gay pride”; não estabelecem qualquer paralelismo. Esta campanha – se é que assim a posso designar – visa o lucro, a controvérsia. Não pense que não estou ciente do “jogo” dos promotores da campanha. Contudo, não posso adoptar uma postura fleumática porque o silêncio manifesta assentimento/conivência –“quem cala, consente”! E eu não consinto: sou indubitável e orgulhosamente “assanhada”!
    Em relação à parada “Gay pride”, esta corresponde a uma forma de reivindicação, na medida em que os cidadãos homossexuais são vergonhosamente discriminados, segregados no nosso país. É necessário manifestar publicamente essa revolta, de exigir direitos, etc. Como vê, em nada tem a ver com a palhaçada da campanha “Orgulho Hetero”!

    Finalmente, uma vez que apologiza com tanto fervor o “Orgulho Hetero”, diga-me: em que consiste esse orgulho? E, retribuindo os desejos, “Get a life”, caro Zeca Valeiro.

  3. aqui ficam mais uns cartazes da tagus 😉

    http://anti-especista.blogspot.com/


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