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‘Quanto menos nos sentirmos limitados, mais qualquer limitação parece insuportável’
(Durkheim)
Em todo o mundo, os problemas sociais produzem-se e reproduzem-se, sem término. Quando transformados em problemáticas sociais, os mesmos, ganham contornos sisudos, sérios e ameaçadores. Os cenários multiplicam-se e somam-se vivências tenebrosas, enigmáticas e ocultas a todo o corpo colectivo.
Torna-se difícil abstrairmo-nos da acção colectiva contraditória que combina alguns princípios da sua identidade: sintomaticamente depressiva – leia-se psicopática e sociopática. Se no primeiro caso, as disfunções psíquicas, neuróticas e emocionais são uma consequência da destabilização relacional intra e intergrupal, no segundo caso os desvios comportamentais e os procedimentos ilimitados de foro colectivo dão corpo à ‘anomia social’, ou seja, ao desenquadramento normativo, valorativo e simbólico, dado o não ordenamento e ajustamento dos diferentes órgãos sociais, à condição de integração social. Com efeito, a condição de existência reprova todo o actor social (aquele que vive inserido numa espécie de ‘teatralização da vida quotidiana’, pelo desempenho múltiplo de um conjunto de papéis ou funções – ‘todos nós’) que se rende à crise social e ao desmoronamento do seu papel integrador na sociedade, podendo conduzi-lo a práticas comportamentais de egoísmo, suicídio, auto-mutilação ou inquietação interior, conhecida por ‘esgotamento cerebral ou depressão neurótica’.
De acordo com a Sociedade Portuguesa de Suicídiologia (SPS) suicidam-se, anualmente, cerca de 600 pessoas, em Portugal e à volta de 24000 desencadeiam pseudo-comportamentos suicidas, surgindo, neste último caso, a necessidade de atendimento médico. Afinal, ‘o que é se entende por suicídio?’. Na óptica sociológica, não é possível falar de um único tipo de suicídio, pelo que a análise, em torno deste problema público, se entende ‘multifactorial’. Diversos teóricos e analistas apontam que o suicídio pode surgir na sequência de uma oculta e exacerbada individuação, não havendo em cada um dos elementos um código normativo fixo, pelo que a autoridade moral lhes é indiferente; outros estudiosos apontam como principal causa para o suicídio o facto do indíviduo não encontrar em si mesmo qualquer tipo de limites e a sociedade não ser capaz de constituir um poder de dominação das carências individuais. No primeiro caso, falamos de ‘suicídio egoísta’, já no segundo de ‘suicídio anómico’ (Durkheim).
Por conseguinte, o risco de cada um dos indivíduos despertar em si uma ‘rebelião’ interior é cada vez mais provável, dada a complexa sintomatologia, em torno deste problema social: perturbações de humor, ansiedade, inibição, quebra no rendimento intelectual, reduzida actividade física ou intelectual e pensamentos auto-destrutivos.
Neste sentido, uma sociedade composta por um conjunto de elementos desorganizados constitui uma verdadeira ‘monstruosidade social’, devido ao predomínio de um aparelho social desactualizado e atrofiado seja na mente humana, seja em corpo social.
Ana Ferreira
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