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Lar, renúncia, ónus, impedimento, desigualdade. Estes são vocábulos que convergem para uma temática cuja discussão deve ser exaustiva e alargada: a distribuição das tarefas domésticas.

Em Portugal, a organização do lar continua a ser uma incumbência, por excelência, das mulheres, que detêm as funções de housekeeper e childcare.

De acordo com dados da European Social Survey de 2004, os homens portugueses foram os europeus que mais afirmaram não ter discussões em casa por causa da divisão das tarefas domésticas. Ora, esta revelação aflui uma ilação capital: a existência de um arraigado tradicionalismo nas relações de género, que circunscreve a mulher ao lar (promovendo a sua inerência) e perpetua a “naturalidade” do grosso ónus feminino na organização da esfera doméstica.

Em entrevista ao PÚBLICO, os sociólogos Anália Torres e Bernardo Coelho mostram que a “tendência no plano dos valores é para uma maior igualdade e para os homens assumirem iguais responsabilidades na família, na casa e no cuidado com os filhos. Mas, na prática, os valores tradicionais das relações de género na família estão profundamente enraizados nas formas de agir de todos os dias de homens e mulheres. Esta incerteza ou ambivalência perante a mudança é particularmente evidente para Portugal, dada a persistência de valores tradicionais”. Contudo, os sociólogos advertem: “se é verdade que subsiste a interiorização de tradicionais papéis de género (masculinos e femininos), também não se pode dizer que isso signifique a aceitação passiva”.

Mesmo não havendo uma “aceitação passiva”, os papéis de género – que atribuem um valor, uma atitude, um comportamento a cada homem e mulher – são manifestamente diferentes. Esta distinção, bafejada pelo patriarcado, redunda na subalternização feminina e numa coexistência flácida e empobrecida entre os indivíduos.

Por conseguinte, ressalte-se: a participação equitativa na organização do LAR evita a RENÚNCIA dos interesses de um dos cônjuges, distribui o ONÚS das tarefas e bane os IMPEDIMENTOS colocados mormente às mulheres – que se vêem coagidas a conciliar a vida doméstica com a profissional –, erradicando a DESIGUALDADE que sustenta as sociedades hodiernas!

Anabela Santos

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