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Porque depreciamos a mulher? Porque vemos nela um valor humano inferior? Porque prevalece uma aversão latente em cada um de nós? Porque somos misógin@s?

Bafejada pelo sexismo, a misoginia consiste num sentimento de hostilidade em relação às mulheres, que se manifesta de múltiplas formas: maledicência, desdém, humilhação, violência. Secularmente intricada nas redes de sociabilização, penetra nos gestos, atitudes e comportamentos dos homens e, claro, das mulheres.

Com efeito, as mulheres manifestam frequentes ímpetos misóginos, que não só abrem brechas nas relações que estabelecem entre si, bem como reduzem o número de consecuções que podem alcançar em conjunto, tornando-as mais expostas às vociferações do patriarcado. 

Se, em vez de preferirem a maledicência e a intriga, valorizassem a convergência de ideais e o intercâmbio de saberes, as mulheres estariam mais aptas para avançar na arena dos seus direitos. Unidas e cúmplices, teriam redobradas possibilidades para debelar as barreiras e os trilhos íngremes que se desnudam gradualmente a seus olhos. Contudo, tais assumpções de partilha e aliança estão cada vez mais ausentes nas relações femininas. A detracção das mulheres para com as suas congéneres é particularmente notória na questão do feminismo. Na verdade, as críticas mais ferozes endereçadas ao movimento feminista emanam mormente de mulheres. As vozes desdenhosas da sua história e dos seus protagonistas são entoadas por mulheres. O que leva estas mulheres a repudiar um movimento que “tão-só” aspira a sua valorização enquanto indivíduo humano?

No seu livro “Mulheres contra Mulheres?”, Carmen Alborch explica: “Deve-se ser misógina, como parte da moral patriarcal; aprendemo-lo como um mandamento, uma autodefinição. Chegamos a ser misóginas com as mulheres de quem gostamos, com aquelas que nos são mais queridas. A misoginia entre as mulheres leva à vingança: quem recebeu misoginia sente-se autorizada a vingar-se misoginamente, exercendo violência contra as outras mulheres. A misoginia funciona por acumulação, cresce e pode tornar-se (torna-se) parte integrante de nós”.  

Deste modo, “para a cultura feminista e democrática, é fundamental desconstruir a misoginia na sociedade, nas pessoas, em cada um de nós”. A premência do banimento da misoginia reverterá irrefutavelmente numa evolução social mais sã, isenta de atropelos às identidades individual e colectiva. Por isso, deixo o repto: Porque não nos aliamos na militância pelos direitos femininos?

Anabela Santos

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