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A emergência e popularização dos novos media lançou novos desafios ao jornalismo e ao público e exibiu novas potencialidades. Diferentemente dos meios de comunicação tradicionais (imprensa, rádio, televisão), os novos media quebraram os constrangimentos espácio-temporais; empreenderam dinamismo e velocidade na difusão dos acontecimentos; criaram uma plataforma estribada na hipertextualidade, multimedialidade e interactividade, alargando o espaço público e fomentando o debate. Contudo, as infindáveis potencialidades dos novos canais de comunicação não são imunes às ameaças e pressões que comprometem o exercício do jornalismo nos media tradicionais, designadamente a censura.

Com a aproximação dos Jogos Olímpicos, em Pequim (China), a repressão aos cibernautas, bem como aos jornalistas está a agudizar-se, ameaçando a cobertura chinesa e estrangeira do evento. Actualmente, mantém encarcerados 30 jornalistas e 50 cibernautas e está a investir avultados recursos na obstrução à livre expressão e difusão dos acontecimentos.

Para além da China, a Rússia constitui um dos países onde o exercício do jornalismo e a liberdade de opinião encontram maiores vedações. O caso mais flagrante da repressão exercida na “Rússia de Putin” foi o homicídio da jornalista da Novaya Gazeta, Anna Politkovskaya, em 2006. O assassinato de Anna Politkovskaya junta-se aos mais de 20 homicídios de jornalistas russos, desde 2000.

A repressão faz-se com a mesma ferocidade no ciberespaço que nos meios tradicionais. E, para além da negação de um direito que deveria assumir-se como universal – a liberdade de expressão –, a censura redunda no subaproveitamento ou até mesmo aniquilamento das mais-valias comportadas pelos novos media.

Os novos meios de comunicação social privilegiam a comunicação plurilateral – fontes, jornalistas, público –, criando oportunidades para que cada uma das partes interaja com as restantes através de espaços de conversação, comentários, endereço electrónico, etc. Esta proximidade/interacção constitui uma das maiores potencialidades dos novos media, mas, devido à tirania exercida globalmente sobre eles – encerramento de sites, proibição da publicação de conteúdos, detenções arbitrárias de ciberjornalistas ou bloggers – é inutilizada ou desperdiçada. A maior elasticidade de agenda dos novos media – a possibilidade de tratar temáticas que nos canais tradicionais ficariam excluídas por motivos de espaço ou por discordarem com os interesses internos das empresas de comunicação – acaba por se revelar infrutífera em muitos países devido à actividade constante dos censores.

Outra mais-valia dos novos media consiste na ampliação do Espaço Público, no qual qualquer cidadão tem a possibilidade de participar e emitir a sua opinião acerca de diversos assuntos, sem temer represálias. Secundando a teoria da socióloga Elisabeth Noelle-Neumann – a Teoria da Espiral do Silêncio –, as pessoas com opiniões minoritárias têm tendência a silenciar-se quando estão integradas em grupos com posições discordantes. Ora, o ciberespaço tem a vantagem de permitir a expressão desprovida de quaisquer limitações. Ou melhor, teria se não fosse os censores a supervisionar aquilo que nele se escreve e mostra e a suprimir aquilo que colide com os interesses políticos e económicos de inúmeros países.

Depois de tudo isto, a questão, cuja resposta teima em não aparecer, desenha-se: como deter os censores e aproveitar plenamente as potencialidades dos novos media?

Anabela Santos

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