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A pluralidade das vozes das mulheres, a diversidade das suas experiências e peculiaridades são as componentes fundamentais do feminismo. Esta foi a conclusão da primeira sessão da tertúlia “Onde estão as Simone de Beauvoir?”, realizada, ontem, no Estaleiro Cultural da Velha-a-Branca, em Braga.

De acordo com a representante da UMAR, Maria José Magalhães, que interveio na temática “Feminismos, Cidadania e Movimentos Sociais”, o feminismo é um conceito “polissémico”, composto por diversas correntes e perspectivas. “É a pluralidade que dá riqueza ao feminismo e lhe confere a sua unicidade”, asseverou Maria José Magalhães.

A dirigente da UMAR deteve-se ainda na necessidade do conceito de Cidadania possuir um carácter “inclusivo”. “O feminismo teve um papel importante no sentido de trazer para o interior da Cidadania as mulheres”, mas “este conceito não é completamente aplicado à vida das mulheres”. Para a activista, “as mulheres continuam em situação de desigualdade em relação aos homens, no trabalho, na família, na participação política, na vida conjugal”.   

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Na primeira sessão da tertúlia esteve também presente a docente da Universidade do Minho (UMinho), Zara Pinto Coelho, que abordou a temática ‘Mulheres e Média’.

A académica explicou que a presença das mulheres nas redacções não se reflectiu numa mudança da imagem feminina no discurso jornalístico, pois “não eliminou os estereótipos, que prejudicam a auto-percepção das mulheres e limitam os seus papéis sociais”. 

A professora da UMinho acredita que as mulheres que entram nas redacções sofrem um “processo de aculturação”, que as afasta de questões femininas. No entanto, Zara Pinto Coelho adverte: “Não é por ser mulher que uma jornalista vai produzir um discurso mais verdadeiro sobre as mulheres”. Para fazer a diferença, é necessário que a jornalista possua uma consciência política e integre na sua “identidade de género uma subjectividade feminista”. “Sem uma compreensão feminista do mundo, o risco de sucumbir à objectividade jornalística é muito maior”, enfatizou a docente, acrescentando que “seria importante introduzir nos currículos universitários uma perspectiva feminista”.  

A iniciativa contou ainda com a presença da Presidente da Associação Portuguesa de Investigação Histórica sobre as Mulheres (APIHM), Maria Helena Alvim, que homenageou Simone de Beauvoir.

Segundo Helena Alvim, a exigência de autonomia de Simone “nunca a levou a querer ser assexuada ou a conceber-se masculina face às mulheres”. “Ainda que se ufanasse de possuir um ‘coração de mulher e um cérebro de homem’, nunca rejeitou a sua feminilidade, ao mesmo tempo que denunciava o escândalo da condição feminina”, explicou a Presidente da APIHM.

A filósofa francesa “rejeitava com veemência o feminismo da guerra dos sexos, pois via nele uma atitude de provocação”. “O que a incomodava profundamente era o fosso que segregava o mundo humano, impedindo as mulheres de se tornarem conscientes”, sublinhou a convidada.

A segunda sessão da tertúlia “Onde estão as Simone de Beauvoir?” decorre, hoje, às 21 horas, no Estaleiro Cultural da Velha-a-Branca, em Braga. Na agenda temática constam a “Conciliação da vida familiar e profissional”, abordada pela bolseira da Fundação Ciência e Tecnologia, Cristina Pereira, e a “Mulher na Publicidade”, apresentada pela docente da Universidade do Minho, Silvana Mota Ribeiro.

Anabela Santos

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