Skip navigation

lexx4.jpg

Queremos fazer uma sugestão ao novo governador de Nova Iorque, David Paterson. Porque não adopta uma lei de tolerância zero em relação à compra de serviços sexuais em todo o Estado? Quando Rudolph Giuliani foi eleito, em 1994, Nova Iorque era considerada uma das áreas urbanas mais perigosas do mundo. Ele adoptou uma política de tolerância contra o crime e, hoje, a cidade distingue-se pelo baixo índice de criminalidade.

Combatendo fortemente o crime, o antigo governador Eliot Spitzer mereceu o sobrenome de ‘Mr. Clean’. Actualmente, é tristemente célebre devido às avultadas somas de dinheiro que gastava com prostitutas. Spitzer pode ter combatido vigorosamente o crime organizado, mas o crime organizado, tráfico humano e prostituição estão intimamente ligados.
No nosso país, Suécia, o Mr.Clean seria passível de seis meses de prisão por comprar serviços sexuais. Enquanto que solicitar serviços sexuais não é considerado crime na Suécia, é ilegal pagar para ter sexo desde 1999. A lei sueca coloca a tónica na procura mais do que na oferta, o que a torna única. Se Nova Iorque, uma das maiores cidades do mundo, se pudesse inspirar na legislação sueca, erigia um imponente obstáculo ao comércio moderno de escravos.

A polícia sueca apoia a lei porque reconheceu-lhe resultados. Os traficantes de seres humanos tendem a evitar a Suécia porque é arriscado desenvolverem os seus negócios lá. A lei também tornou os clientes mais prudentes. O Departamento de Investigação Criminal Nacional da Suécia concluiu que a lei constitui uma barreira ao estabelecimento de redes de prostituição transfronteiriças organizadas. Sugeriu alargar a pena máxima de seis meses para um ano.  

Não negamos que haja prostitutas satisfeitas com a sua escolha profissional. Talvez a scort que trabalha na Empire Club VIP, que os media designam de Kristen, queira ser reconhecida como uma orgulhosa empreendedora. Contudo, as trabalhadoras do sexo satisfeitas com a sua actividade representam apenas uma fatia ínfima no sórdido mundo da prostituição. A maioria das pessoas que se encontram na prostituição é jovem, pobre e traumatizada. A diferença entre a procura por serviços sexuais e mulheres que querem vender os seus corpos voluntariamente redunda na prostituição forçada sob o controlo do crime organizado. Na realidade, poucas prostitutas vestem a personagem de Julia Roberts na sua popular história de amor “Pretty Woman”.

Sabemos o que acontece quando a sociedade sustenta que a prostituição é aceitável. A procura aumenta. O Estado de Vitória, na Austrália, legalizou a prostituição em 1984. Antes da legalização, havia cerca de quarenta bordéis no Estado, segundo a Coalition Against Trafficking in Women. Em 2004, havia uma centena de bordéis legais e mesmo o número de bordéis ilegais também aumentou. A expansão da indústria do sexo representa um negócio lucrativo que atrai os criminosos. Como poucas mulheres australianas querem trabalhar na indústria do sexo, os lugares são ocupados por imigrantes, muitas vezes sem permissão para trabalhar.  

A Europa segue este exemplo. A Alemanha legalizou a prostituição há alguns anos. Os bordéis do célebre “red light” de Amesterdão são legais desde 2000. Poucas mulheres alemãs ou holandesas pretendem fazer carreira com a venda dos seus corpos a estranhos. Por outro lado, inúmeras raparigas pobres de países como a Moldávia e Ucrânia são atraídas para Berlim e Amesterdão com falsas promessas. De acordo com a EUROPOL, os traficantes preferem estabelecer negócios nos países cuja indústria do sexo está mais desenvolvida. A razão é simples: existem menos riscos e as receitas são mais elevadas.

A Suécia e Nova Iorque poderiam cooperar na criação de sociedades civilizadas, nas quais o corpo humano não seja uma mercadoria. Declare tolerância zero à compra de serviços sexuais em Nova Iorque, David Paterson. Sem procura, não há oferta.

Autoras: Birgitta Ohlsson [membro do Parlamento sueco pelo Partido Liberal] e Jenny Sonesson [secretária-geral da Mulheres Liberais da Suécia]

Tradução: Anabela Santos 
Versão original: AQUI!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: