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De acordo com a UMAR, quantificaram -se 17 mulheres vítimas de violência doméstica assassinadas desde o início do presente ano de 2008 e 11 ficaram feridas, algumas delas correndo perigo de vida (e quem sabe à beira da morte!).

O observatório online da UMAR permite avaliar quantitativa e qualitativamente o número de mulheres assassinadas vítimas de violência doméstica. Desde 2004 que esta estrutura online entende que o responsável ou protagonista do homicídio conjugal é, normalmente, o parceiro do sexo masculino (namorado, ex-namorado, marido, ex-marido, companheiro, ex-companheiro). No referido ano, 47 mulheres morreram numa relação conjugal ou privada. Assim, porque a violência e o crime são problemas construídos socialmente, é necessário, em sentido inverso, desconstruir esta tendência, dando a perceber que “não reprovamos um acto porque ele é crime, mas ele é um crime porque o reprovamos” (teoria durkheimiana citada por Lourenço e Carvalho, 2001: 11).

Na perspectiva da Drª Maria José Magalhães, activista da UMAR, aquando de uma entrevista dada à RTP1, “os dados destes primeiros meses indiciam um aumento importante em relação aos anos anteriores”, o que implica uma resposta activa e pontual por parte da sociedade civil, entidade responsável pelo aumento deste flagelo social.

Neste sentido, a protagonista desta reportagem enuncia que para combater esta mácula social “tem que haver uma resposta de toda a sociedade: nas escolas, nos bairros, nas paróquias, nas associações culturais, nas associações desportivas” e que umas das agravantes desta problemática centra-se, além de outras, na “mentalidade das pessoas”.

Em termos estruturais, a UMAR tenciona abrir um gabinete no Porto, para auxiliar as mulheres vítimas de violência doméstica, pois, na óptica da Drª Maria Magalhães, “as mulheres têm que sentir que há uma sociedade que as pode ajudar: ou para retirar o agressor ou para encontrar uma alternativa para si e para as suas crianças”.

Assim, ser feminino ou ser masculino implica, em determinados contextos socioculturais, a adopção de comportamentos diferenciados, por imposição social. No entanto, silenciar ou não o acto de agressão de que é vítima, só depende de quem é vítima e de quem reitera o fim ao condicionamento da apresentação de denúncia e queixa-crime.

Ana Ferreira

3 Comments

  1. Olá Ana,
    Parabéns pelo post!
    Só uma nota: dizes “silenciar ou não o acto de agressão de que é vítima, só depende de quem é vítima”. Isto parece-me que é exigir demais das vítimas. A violência é um crime público e a responsabilidade é de todos/as. Não se pode exigir mais a uma mulher ou homem que é vítima deste crime do que qualquer outra pessoa.

  2. Olá. Obrigada pelo comentário. Entendo o que queira dizer, mas a frase é composta por duas referências: por outro lado, a acção da vítima e por outro, a acção da sociedade civil. A responsabilidade é de todos, não deixa margem para dúvidas. Deixe-me apenas explicar-lhe a seguinte citação:
    “No entanto, silenciar ou não o acto de agressão de que é vítima, só depende de quem é vítima e de quem reitera o fim ao condicionamento da apresentação de denúncia e queixa-crime.” – se a sociedade encoraja a vítima à revelação da sua situação será mais fácil atender à mesma; se a sociedade não a encorajar ela fecha-se em si mesma, obviamente… Se a violência é contextualizada em ambiente doméstico ou privado, na sua maioria, tal facto exige determinadas disposições às quais a maior parte da sociedade de intervenção não tem acesso. Obrigada pelo comentário, mas a ideia tem duas partes: a sociedade e a vítima. Sem esta relação, a problemática vê a sua atenuação mais limitada. Não sou parcial nas ideias que foco, mas apologista do holismo🙂.

  3. Onde se lê na segunda linha “por outro lado”, deve ler-se “por um lado”.


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