Skip navigation

O Governo da Suíça, onde a prostituição é legal, calcula que mais de três mil mulheres sejam vítimas de tráfico humano. O PÚBLICO falou com o gerente do primeiro bordel legalizado do país

A protagonista desta história é uma mulher. Na publicidade, a câmara acompanha-a, enquanto é empurrada, arrastada pelos cabelos, leiloada como gado e colocada na montra de uma das muitas casas de prostituição que legalmente existem na Suíça. Na vida real, o Governo suíço calcula que mais de três milhares sejam vítimas de tráfico humano no país.

O pequeno vídeo faz parte da campanha de sensibilização que até ao final do mês acompanhará o Europeu de futebol (as imagens passam nos estádios antes dos jogos, camufladas por uma série de publicidades de orçamento elevado), ainda que nenhum órgão oficial tenha conseguido estabelecer uma ligação directa entre os grandes eventos desportivos e o aumento da prostituição e consequente tráfico. “Os adeptos do Europeu chegam, olham e vão-se embora, não são bons clientes”, disse ao PÚBLICO Remy, gerente do hotel Petite Fleur, edifício de três pisos (24 quartos) não muito distante do centro de Zurique que se gaba de ser o primeiro bordel legal na Suíça.

O país legalizou os bordéis em 1992, o Petite Fleur abriu em 1997. “Não foi fácil. Só conseguimos a licença após três anos de burocracias e de chatices”, recorda Remy, com demasiadas “experiências negativas” para revelar o seu verdadeiro nome.

No Petite Fleur, tudo funciona às claras. As mulheres arrendam um quarto (pagam por noite à volta de 150 euros) e ficam com os lucros. “São livres: trabalham quando querem, dormem quando querem, têm televisão, acesso à cozinha, protecção 24 horas por dia e tudo. E aqui não há chefes que ficam com 50 por cento de cada serviço. Se tiverem proxeneta [papel ilegal e pouco vulgar na Suíça], não as aceitamos. Temos tido inclusive casos de meninas que chegam com chefe e aqui aprendem que é melhor trabalhar por conta própria. Não aconteceu nem uma, nem duas, nem três vezes. ‘Quero fazer a minha vida sozinha, sem um homem que me fique com o dinheiro.'”

Com o Europeu, Remy não notou qualquer alteração no ritmo diário. Nem mais nem menos clientes, nem mais nem menos prostitutas. “Há muitos rapazes novos que vêm cá, mas não ficam.”

Procura não disparou

Na sua maioria, os adeptos de futebol que se deslocam à Áustria e à Suíça (a organização do evento apontou para dois milhões de visitantes durante as três semanas de competição) chegam com os trocos contados, dormem nas fan zones (25 euros por noite), comem fast food e gastam o excedente do orçamento – quando há excedente do orçamento – em cerveja, não colocando sequer a hipótese de gastar 100 francos suíços (sensivelmente 62 euros) em “dez/15 minutos”. “Não conseguimos estabelecer uma ligação entre um grande evento desportivo e o aumento da prostituição”, disse Richard Danziger, da Organização Internacional para as Migrações, a propósito dos números revelados no Mundial da Alemanha.

“Se fizermos as contas a cada lugar que tenha mais de dois quartos para a prática de sexo pago, contaremos mais de cem em Genebra”, calcula Daniel, gerente da agência SwitzEscorts que trabalha directamente com o salão erótico Venusia. Também ele não tem verificado qualquer aumento nem na procura nem na oferta. “O tráfico é limitado ao número de prostitutas que já cá estavam estabelecidas” – na sua maioria com origem na América Latina, na Alemanha, na Europa de Leste e no Médio Oriente.

A prostituição de rua (em Genebra, a mais popular é a Rua de Berna) “também está saturada”. E há outra série de detalhes que parece limitar o negócio ou até revelar-se desfavorável às mulheres que se dedicam à prostituição: o radical policiamento das zonas mais movimentadas das cidades Euro, o difícil acesso aos espaços envolventes dos estádios e principalmente as restrições impostas dentro das urbes devido às praças transformadas especificamente para receber milhares de adeptos.

O slogan continua entretanto a percorrer os estádios. “Todos os anos centenas de jovens mulheres são vendidas à indústria do sexo na Suíça.” Não é ficção.

Fonte: Público

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: