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Funções várias, que ultrapassam a alimentar e biológica, são atribuídas ao útero feminino.  Este tem que ser capaz de criar o filho ideal, de funcionar como uma máquina quase perfeita. Se alguma coisa falhou, o modelo de Adão e Eva não foi seguido da melhor forma. A culpa é sempre da mulher, que “não é capaz de dar um filho ao homem”. O último, esse sim, é competente, em matéria sexual, dado que está enraizado socialmente, o potencial de vida da masturbação masculina.

Mesmo no campo da reprodução sexual, homem e mulher têm deveres e direitos diferenciados – diz o povo convencionalista. Nenhuma mulher pode resistir à imposição e à sina de ser mãe, nem mesmo quando não tem condições para sustentar um filho nos braços.  Assim, o idealismo da “lágoa azul” não é meramente simbólico, é a regra a que a mulher deve consagrar como sua. Como tal, quem não protege este princípio é visto com maus olhos, como infértil e desvirtuoso.

Aquando do referendo do aborto, os movimentos divergentes ao SIM pelo aborto, acusavam os defensores desta prática, de máxima liberalização. Permitam-me uma breve instrução, que passa pela seguinte: liberalizar um comportamento ou a praxis de qualquer agente social é levar ao extremo a sua arbitrariedade, ou seja, determinada acção é realizada, com livre arbítrio e na sua plenitude: “Quem quer, faz!”.

Contudo, as mulheres que sentem o direito de abortar, não o fazem porque são liberais, mas sim porque não têm condições, essencialmente económicas e materiais, para suportarem os cargos que um filho acarreta. Logo, o SIM ao aborto não é liberalizado, de forma alguma, mas constituí uma necessidade. Quantas mães, depois de engravidarem, não institucionalizam os seus filhos, pois mesmo sem pretenderem, são forçadas ao papel biológico da maternidade? Quantas mães engravidam para serem, apenas, reconhecidas socialmente, sob a pena de serem vistas como incapazes e incompetentes por “não saberem dar um filho a um homem”? Quantas mulheres estão com a corda no pescoço, por terem sido mães e por serem obrigadas, consequentemente, a mendigar?!

Instituições, como a Igreja, associaram estados de alma a períodos de gestação por sexo. Se os homens ganham um estado de alma já aos três meses de gestação, as mulheres apenas aos quatro meses. Quanto a esta ideia, no mínimo absurda!

Além disso, Madalena Barbosa, no seu livro, “Que força é essa” transmite as noções de que a masturbação masculina era sinal de potencialidade humana e, como tal, o óvulo era considerado em tempos passados, como um elemento passivo, um receptáculo inerte!

Se a maternidade é, algumas vezes, imposta; a reprodução sexual é diferenciada e alvo de uma série de mitos e ideias mal concebidas!

Ana Ferreira

One Comment

  1. olá tiver um aborto faz 6 meses,não uso nada pra evitar,ah 6 meses tendo engravidar mas não consigo o que devo fazer?


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