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blindness20301 

“Acho que não ficamos cegos. Acho que sempre fomos cegos. Cegos apesar de conseguirmos ver. Pessoas que conseguem ver, mas não enxergar.”                                                                            

  José Saramago, Ensaio Sobre a Cegueira

 

Tão difícil falar sobre este ensaio, tão complexo escrever sobre esta obra, tão problemático adaptá-lo aos ecrãs de cinema, tão impossível de ficar indiferente à sua mensagem.

O desafio do filme era enorme atacar-se a uma obra de Saramago e conseguir transmitir as emoções do seu livro Ensaio sobre a Cegueira. José Meireles fê-lo.

Como no livro as personagens não tem nome, como no livro não há espaço preciso, nem tempo definido, isso não interessa, esta é uma história universal. As causas são desconhecida, o que se sabe é que um homem num semáforo fica cego. O primeiro a ver tudo branco mas certamente não o único. Um após um acaba por cegar: o ladrão que lhe rouba o carro, a sua mulher, o oftalmologista, a mulher de óculos escuros, o homem da venda preta, o menino …

A solução encontrada pelas autoridades face a ameaça é a quarentena, onde as personagens são enclausuradas tal prisioneiros sem condições mínimas. Num espaço fechado começa a luta pela sobrevivência, mas depressa a solidariedade deixa lugar a violência quando um grupo, liderado pelo rei da ala 3, pretende chefiar com violência, intimidação e violações.

A mulher do oftalmologista, a única que não chega a cegar apesar de o desejar, não deixa de ser a que mais sofre com a condição. Como afirma, o pior do que está cego, é ser a única a enxergar. Difícil parece ser assumir a encargo de ser a única a ver, no meio do caos. A sua preocupação, primeiro somente com o marido, começa a alargar-se. Nós assistimos, tal como ela,  à degradação da situação, ela observa mas tem dificuldade em agir. Com ela questionamo-nos de que forma somos responsáveis uns pelos outros, e conseguimos ver-nos. 
Pouco a pouco torna-se líder improvisada de um grupo de sete pessoas, decide agir contra o “rei” e retira a sua “família” da clausura ajudando-os a enfrentar o mundo exterior.

Levado aos ecrãs esta metáfora, sobre o mundo de sobrevivência, violência, desordem,  é perturbadora. Esta parábola não pode deixar de nos transtornar, já que infelizmente espelha tão bem o melhor e o pior que há em nós. Um retrato da nossa realidade e sociedade, um verdadeiro mundo de cegos.

Sylvie Silva Oliveira

 

One Comment

  1. Um filme fantástico! Adorei🙂


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