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Monthly Archives: Outubro 2007

O Shopping 8ª Avenida de São João da Madeira entregou-se à inovação!
Com o propósito de ajudar as incapazes condutoras portuguesas, o centro comercial criou lugares de estacionamento próprios para mulheres. Mais largos do que os normais (cerca de um metro), têm uma largura superior aos que são reservados aos cidadãos com deficiência, que necessitam de mais espaço para a utilização de cadeiras de rodas.
Num parque com 1400 lugares, os que são destinados às mulheres encontram-se junto dos espaços reservados a grávidas e a mulheres com crianças, famílias numerosas e a pessoas com deficiência, assinalados a cor-de-rosa (conforme a cartilha sexista).
Preocupado com a segurança das suas clientes, o dito Shopping reserva-lhes ainda uma outra regalia: os lugares exclusivos para as mulheres estão mais próximos da entrada do centro comercial de modo a auxiliá-las em caso de excesso de compras (porque só as mulheres vão às compras!) e conferir-lhes mais segurança (porque só elas são vítimas de assaltos!).
Gentileza”. É, precisamente, com este substantivo que a Direcção do Shopping 8ª Avenida justifica a cedência de lugares a mulheres. Perdoem-me a discordância, mas no meu léxico encontro um vocábulo muito mais curial: Estupidez!
Mas a ridicularia não fica por aqui! No Shopping de São João da Madeira, copioso em originalidade (leia-se imbecilidade), os WC’s masculinos ostentam, por detrás dos urinóis, uma estante em vidro onde estão inúmeros manequins vestidos e em poses sensuais. Permitam-me a pertinência, mas qual é o objectivo desta vez? Trata-se, novamente, de uma questão de “gentileza”?!
Não obstante a pobreza do episódio, devo confessar que saí enriquecida a nível lexical. Fiquei a saber que o substantivo “gentileza” pode significar estupidez, imbecilidade, discriminação, cavalheirismo medíocre (ups, desculpem-me a redundância!).
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Crianças com menos de dez anos são submetidas, em todo o mundo, a longas horas de trabalho explorado e como tal não saboreiam nem vivenciam as brincadeiras de outras crianças, pois se, assim, mostrarem pretensões para tal são, antes de mais, alvo de ameaças e de maus-tratos.
Na Índia, estas crianças são humilhadas e vêem negado o seu direito à existência humana na medida em que são constantemente usadas como mão-de-obra barata, explorada e precária. De facto, a produção de camisas “Gap Kid” provém deste grupo menosprezado e tem aumentado drasticamente, apesar dos esforços reunidos para a interdição do trabalho infantil. No entanto, tal como constatava Emerson, “um problema sem solução é um problema mal colocado”.
Em Portugal, este fenómeno é considerado como uma ofensa grave que deve ser punido severamente, na medida em que vai contra a integridade de uma criança. A legislação condena este comportamento repressivo (artigo 152 do Código Penal Português) considerando-o como crime, porque engloba práticas de maus-tratos a menores e actividades de trabalho “perigosas, desumanas, proibidas ou em excesso”.
Todavia, muitas leis portuguesas cumprem apenas a “arte do espectáculo”, enquanto que os problemas sociais não cessam de aumentar. E que tal cooperar?!
Ana Ferreira
Antes de iniciar a leitura deste texto, desembrulhe uma tablete de chocolate. Já está? Agora, saboreie. Saboreie mais um pouco. Qual é o sabor do chocolate? Doce? Muito doce? Na verdade, o chocolate pode ter um sabor amargo, mesmo muito amargo. Porquê? Eis um possível (e infeliz) motivo: o fabrico de chocolate pode resultar da exploração de milhares de crianças. Muitos dos sumptuosos invólucros de chocolate ocultam as mais abjectas estratégias capitalistas que, pautadas apenas pelos cifrões, recusam máximas como o respeito pelo ser humano, em qualquer estádio da sua existência.
Grande parte do chocolate produzido mundialmente provém das plantações de cacau de Cote D’Ivoire (África), para onde cerca de 12 mil crianças são traficadas. Por outras palavras, são vendidas, espancadas, subnutridas, sujeitas a inumanas condições de trabalho. O chocolate tem, agora, um outro sabor, não acha? Parece-lhe intragável?
Com o propósito de erradicar este execrável fenómeno, a plataforma “Stop the Traffik” exige às companhias produtoras de chocolate a colocação de um certificado –‘Traffik Free Guarantee’– nas embalagens que assegure um fabrico sem correlação com o tráfico humano.
A sociedade e a cultura em que cada um está inserido, desde sempre, permitiram compreender os diferentes papéis de género, apesar de incutirem valores e fundamentos universais de direitos de cidadania, de livre opção religiosa e sexual. No entanto, num elenco de conquitas e desafios sociais, o sexismo continua a ser o traço mais forte da cultura, a nível mundial, levando para além do mais, à desigualdade social, segmentando a sociedade em classes por aspectos económicos, sociais e culturais.

Na realidade, o facto de cada agente social nascer do sexo masculino ou do sexo feminino isto significa, de antemão, que os papéis definidos para o primeiro sexo surgem em detrimento do segundo. Ou seja, as mulheres porque nasceram do sexo feminino têm menos direitos de livre participação na cidadania, menos poder político e menos liberdade. Assim, desde sempre o género feminino nunca sofreu uma profunda mutação em termos societais dada a universal perda de direitos e de qualificação laboral, humana e social, categorizando-o como o género inferior, numa escala de medida e opinião. Neste sentido, surgem novas formas de “racismo” como um processso de construção sintomático que caracteriza a “neurose cultural” de uma sociedade que estigmatiza, submete e marginaliza o género feminino. Ora, esta desregularidade de género, ao possibilitar o desenvolvimento do sexismo, produz efeitos violentos sobre a mulher em geral e a mulher negra, em particular. Assim, as relações raciais de género focadas na mulher consideram que a mesma, enquanto agente social, é atingida, directamente, pelo racismo e pelo sexismo, no plano de consciência social, fazendo com que o lugar que ocupa seja definido como duplamente aprisionado.
Tendecialmente, esta realidade descreve-se pela mancha desfasada de relações de desigual poder e livre acesso aos direitos fundamentais de ambos os géneros. Desta forma, entende-se, por bem, operacionalizar, conceptualmente, algumas variáveis que sustentam novas formas de desenvolvimento de “racismo”:
Estereótipo: este conceito diferencia-se do conceito de racismo, apesar de se complementar com o último num quadro teórico argumentado. Ora, na perspectiva de Shestakov o estereótipo define-se como “uma tendência à padronização, com a eliminação das qualidades individuais e das diferenças; com a ausência total do espírito crítico nas opiniões sustentadas”.
Misoginia: antipatia, aversão enferma às mulheres. Neste sentido, “se no sistema a diferença é negada e, finalmente, homens e mulheres vêem a sua individualidade cindida nas representações do masculino e do feminino, que gerações após gerações de homens e mulheres sob o domínio patriarcal viram a sua individualidade negada, desrespeitada, cerceada, isso não significa, em absoluto, que do ponto de vista histórico tal processo seja simétrico. É precisamente na assimetria das relações como relações de poder que o sistema de géneros se constitui e na medida em que o feminino representou sempre o outro, a diferença – é essa a fonte de toda a misoginia – é lícito, parece-nos, identificar às representações historicamente ligadas ao feminino – ou parte delas – a luta pela diferença enquanto tal” (in “Teses pelo fim do Sistema de Géneros” – Ilana Amaral)
(…)
Convém ressaltar que o racismo nem sempre ocorre de forma explícita. Além disso, existem casos em que a praxis social é sustentada por formas satíricas “camufladas” que agravam o fenómeno do sexismo e do racismo, afectando, de uma forma particular, a construção desigual de género.
Ana Ferreira
APAV SOS Helpline: 707 20 00 77
Linha SOS IMIGRANTE
Tel: 808 257 257 (a partir da rede fixa)
Tel: 21 810 61 91 (a partir de rede móvel)
Julieta Gandra viveu 90 anos de ousadia. Desafiou regras, desafiou convenções, desafiou poderes. Foi uma referência para gerações de jovens de esquerda. Viveu a política com alegria e convicção e por uma causa: Angola
“Olhe! Em vez de estar aí parado ajude-me a carregar os embrulhos!” Sem dar tempo para ao pide, que lhe vigiava a casa, reagir, Julieta Gandra despejou os muitos pacotes com que chegara ao nº 7 da Ilha do Príncipe, em Lisboa, e obrigou assim o agente da polícia política a subir até ao 4º-B, carregando as suas compras em silêncio. Esta história desconcertante é recordada, entre sorrisos, por Diana Andringa, que, na segunda metade dos anos 60, morava no 5º-A e que conviveu com Julieta Gandra, médica, oposicionista, militante feminista e anticolonialista e, sobretudo, transgressora, falecida a 8 de Outubro, em Lisboa, com 90 anos.Nascida a 16 de Setembro de 1917, em Oliveira de Azeméis, Maria Julieta Guimarães Gandra era filha de Aurora e Mário Gandra, solicitador e pequeno comerciante, e tinha três irmãos, Fernanda, mais velha e ainda viva, Ângela, e Hernâni, arquitecto que militou no PCP. Julieta cursou medicina, em Lisboa, onde conheceu Ernesto Cochat Osório, oposicionista e poeta, natural de Angola. Depois de casados e de ter nascido, em 1944, o seu filho Miguel (que não quis colaborar neste trabalho), rumam de barco a Luanda. Julieta é então especialista em medicina tropical. Irá interessar-se por obstetrícia e ginecologia e será ela a introdutora do parto sem dor em Angola. Médica das jovens brancas da elite de Luanda, dá também consulta a mulheres pobres, brancas e pretas.Em Luanda, priva com intelectuais não afectos ao regime e frequenta o Cine-Clube e a Sociedade Cultural de Angola. O que fora uma aproximação à oposição na faculdade torna-se ligação ao PCP em Angola. (Pacheco Pereira, Álvaro Cunhal, III vol. pp. 517-526). Em meados dos anos 50, participa na formação do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). Vem de então a sua amizade com Agostinho Neto, Lúcio Lara, Paulo Jorge e Arménio Santos.Durante a década e meia que vive em Angola, viaja. Vem a Lisboa. E, em 1958, depois de visitar, em Bruxelas, a exposição mundial, ruma à União Soviética. De regresso a Luanda, passa por Paris e Lisboa e, a sua sobrinha Ana Rita Gandra Gonçalves, ainda hoje se lembra das discrições de um espectáculo de Ives Montand e os discos de Léo Ferré que distribui pelos mais novos.
Ler na íntegra: AQUI

“Esta é uma história sobre mãos invisíveis.
Isto é uma história sobre o trabalho sem fim.
Esta é uma história sobre o trabalho das mulheres por manutenção e sobrevivência.
Esta é uma história sobre o trabalho de corpo da mulher na invisível economia feminina de produto e reprodução.
Esta é uma história sobre a repetição, o tédio, o exausto, a coação, a derrubada.
Esta é uma história sobre o peso, da repetição, a tensão do trabalho manual na velocidade das máquinas eletrônicas.”
O ciberfeminismo, entendido como uma praxis pós-feminista, vê-se como uma rede de um complexo território tecnológico e político. O mundo tecnológico foi, desde sempre, um domínio tradicionalmente masculino. De facto, a partir do dualismo clássico que fundamenta o pensamento e a construção social ocidental surge a ideia de que a mulher está associada ao instinto, à natureza e desta forma ao espaço privado da vida; enquanto que o homem à inteligência, à cultura, e portanto ao público.
No entanto, desde o século XIX, com a entrada maciça da mulher no mercado de trabalho, a dualidade acima referida entrou em conflito e em contradição, dada a sua ambivalência, não apenas no âmbito laboral, mas em dimensões mais abrangentes como a política, social e a cultural.
Assim, o feminismo tem demonstrado que a conquista do trabalho assalariado destorceu o mito criado pela feminilidade e em grande parte pelos fundamentos do patriarcado, fazendo com que as mulheres se tornassem seres mais activos, independentes e produtores, para além de reprodutores, apesar desta conquista não se manifestar de forma tão evidente. Desta forma, alguns feminismos têm levado adiante algumas das suas estratégias, incidindo numa alteração geral dos valores que sustentam as relações patriarcais ou de dominação masculina.
De todo o modo, o ciberfeminismo desenvolveu-se na base das mesmas apirações ou fontes, pois a entrada da mulher no mercado de trabalho ao exigir a conquista da palavra para uma circulação pública feminina, permitiu, também, o estabelecimento de uma rede de comunicação entre as mulheres. O meio social para além de possibilitar o desenvolvimento do discurso feminino e feminista, criou uma alternativa contracultural: os pensamentos feministas podem ser dicutidos de uma forma não institucional, por meio de um sistema que dissolve, desta forma, os papéis e as identidades convencionais incutidas ao género.
Na realidade, o ciberfeminismo lançou uma esfera de optimismo entre as mulheres, transformando-o num espaço e num território de desenvolvimento e manifestação sociocultural, simultaneamente.
Ana Ferreira

O dia 18 de Outubro de 2007 assinala o Dia Internacional contra o Tráfico e Exploração Humana.

O tráfico de seres humanos é uma realidade das mais aviltantes do ser humano.
De facto, representa uma nova forma e uma das formas mais violentas da escravatura humana, colocando em causa os princípios que norteiam a dignidade humana. De facto, este crime é organizado e discriminatório, agravavando o fosso assimétrico entre os países desenvolvidos e os países subdesenvolvidos. Esta realidade deixou de ser há muito um requisito elementar transfronteiriço, passando a ser punido, da mesma forma, o tráfico interno. De acordo com a revisão do Estado de Direito sobre o Código Penal, este crime co-responsabiliza, juridicamente, pessoas colectivas que estejam directamente relacionadas com o agravamento do crime, para além de responsabilizar individualmente quem pratique o crime.
“O I Plano Nacional contra o Tráfico de Seres Humanos (2007-2010), entrou em vigor a partir do dia 23 de Junho do corrente ano, assumindo, como prioritário e estratégico, a implementação de uma abordagem e resposta holística de combate efectivo a esta realidade. Seguindo a evolução mais recente ao nível da abordagem internacional, contempla não só as situações de tráfico para fins de exploração sexual, bem como as situações de tráfico para fins de exploração laboral.”
Este Plano aponta estrategicamente para quatro áreas de intervenção:1) Conhecer e disseminar informação;
2) Prevenir, sensibilizar e formar;
3) Proteger, apoiar e integrar;
4) Investigar criminalmente e reprimir o tráfico.
Portugal não tinha, até ao ano de 2007, qualquer estudo acerca da realidade nacional do tráfico de mulheres para fins de exploração sexual, tendo o primeiro estudo o cunho de um Centro de Investigação Português. Este projecto, tem como principais linhas de orientação:
a) conceber e propor medidas legislativas que implementem ou actualizem dispositivos legais adequados;
b) melhorar as competências do/as diversos/as agentes de intervenção sobre o fenómeno;
c) promover a cooperação entre os diversos agentes de intervenção quer a uma escala nacional quer internacional;
d) promover um acolhimento qualificado e a integração social das mulheres vítimas de tráfico;
e) implementar um sistema de monitorização do fenómeno do tráfico de mulheres para exploração sexual promovendo a sua visibilidade.
Em suma, todos os anos à volta de 200 000 indivíduos são vítimas de tráfico humano no continente Europeu, na sua grande maioria os grupos mais vulneráveis, como é o caso de mulheres e de crianças-adolescentes, forçadas a entrar no mundo da prostituição.
Ana Ferreira

Vivem os dias a caminho da cidade mais próxima. Quebram nozes, recolhem frutos, pescam, cultivam plantas medicinais, mandioca, acaí; usam café para aliviar as dores quando dão à luz cinco, oito, dez filhos sem o apoio de outros medicamentos; os seus corpos mostram os sinais de uma vida feita de cansaço, mas os seus rostos são os de jovens sorridentes. Mulheres da Amazónia.
História a conta-gotas. A vida nas dispersas comunidades da floresta amazónica não teve um começo fácil. Até ao início do colonialismo, os campos e as florestas do Brasil foram sujeitas à exploração e destruição; o seu povo escravizado, oprimido e dizimado. Quando, em 1985, Chico Mendes e os seus companheiros fundaram o Conselho Nacional dos Seringueiros, o seu projecto de uso sustentável dos recursos era inexequível, revolucionário e utópico. Chico Mendes morreu pelas suas ideias quatro anos depois, mas até hoje foram criadas mais de 90 reservas extractivistas e outras áreas protegidas a favor de uma utilização sustentável dos recursos. Reformas agrárias e uso colectivo das terras são parte da estratégia de desenvolvimento do território brasileiro. E, todavia, os representantes da comunidade da floresta amazónica continuam a temer pela vida da sua comunidade, já que os predadores da floresta e saqueadores ficam em liberdade apesar de os crimes que perpetram. Os habitantes da floresta amazónica que conseguiram realizar uma reserva reconhecida pela lei tiveram de enfrentar grandes dificuldades. Carência de transportes, de escolas, de postos médicos e meios de comunicação representam os maiores desafios para os habitantes das reservas extractivas.
Todo o peso. As mulheres trazem os sinais desta grave situação, não só porque as impede de proverem bem-estar à sua família, mas também porque são objecto de discriminação e abusos sexuais. Muitas mulheres morrem durante o parto devido à falta de medicamentos. Outras morrem com tumores no cólon sem nunca terem tido a possibilidade de receber algum tratamento médico. Isto acontece devido à ausência de cura ou porque os seus maridos impedem o seu tratamento, reivindicando o completo controlo sobre as suas vidas. Algumas são coagidas a ter relações sexuais com o marido mesmo quando estão próximas de dar à luz: o desejo do marido não tem restrições. Contudo, as coisas começaram a mudar em 2000, quando os representantes do Conselho Nacional dos Seringueiros lançaram o projecto – “O Património das mulheres da floresta”. Com poucos recursos, muita paciência e uma grande dose de energia e criatividade, estas mulheres começaram a esclarecer outras sobre problemas sanitários, a prevenção das DST e HIV e o modo de organização das tarefas familiares. Viajaram dias sem fim até alcançarem as comunidades mais longínquas. Nas cabanas de madeira, nas costas dos rios, à sombra das árvores e nas suas casas, reuniram famílias para discutir o corpo feminino, a saúde do aparelho reprodutor e o uso correcto dos contraceptivos. Através de jogos, utilizando a linguagem simples das comunidades da floresta, construíram pontos de discussão, destruíram barreiras e esclareceram homens e mulheres acerca da importância de correctas relações sexuais para uma vida familiar e comunitária feliz. Com cautela e paciência, obtiveram a confiança das comunidades e começaram a falar dos direitos das mulheres. Na floresta, nada se faz sem o aval dos homens, os quais foram convidados a participar em cada encontro para que as actividades das mulheres não suscitassem nos homens qualquer alarmismo.
O sucesso. Este projecto e o seu variegado material educativo estão agora registados num vídeo apresentado este ano, em Março. O grupo venceu o prémio ActionAid Pan-American Award e transformou-se num grande sucesso graças ao número de apoiantes. Agora, as mulheres da floresta amazónica deparam-se com um novo desafio: aquele que começou como um simples proposta está a tornar-se num verdadeiro programa. Neste momento, estão a tentar criar uma linha telefónica que disponibilize informações médicas aos habitantes da floresta amazónica em Pará, através do uso de telemóveis com o apoio de antenas rurais nas reservas que nunca foram beneficiadas com linhas de comunicação. “E isto é só o início”, assevera Fátima Cristina, coordenadora do projecto: “Aprendemos a ter confiança nas nossas potencialidades; podemos fazer tanto com tanto pouco. Agora, nada nos pode parar”.
Versão original: AQUI

Sinopse:
A parir de textos de Adélia Prado, Adília Lopes, Ana Hatherly, Ana Luísa Amaral, Elisa Lucinda, Natália Correia e Marina Colasanti, nasce um espectáculo teatral híbrido que se assume como uma fusão de elementos poéticos, plásticos e musicais.
Sendo um tributo às poetisas e à poesia em língua portuguesa, as diversas faces destas vozes femininas são cultivadas no diálogo de um processo criativo onde se cruzam também diferentes linguagens artísticas. Teatro, música, artes plásticas, vídeo e animação fundem-se e mesclam-se na busca de uma linguagem própria e de uma dramaturgia musical que privilegia a expressividade do corpo, do gesto e do movimento.
Os poemas, mais do que palavras, sugerem imagens, histórias, mundos imaginários, intimidades e utopias.
O espectáculo estrutura-se numa linha temporal que se divide em quatro grandes “idades da mulher”: a infância – o estrear da voz, os jogos, as sombras e a imaginação; a juventude – o despertar da sensualidade, o amor, a experimentação do feminino; a idade adulta – transformação, reflexão, a passagem do tempo; e a velhice – despojamento, morte e o desvanecer do corpo.

Preço Simples: 10 euros
Preço de Grupo: [> ou = 10 pessoas] 7 euros
Promoção “Elas em família – 3G”: três bilhetes pelo preço de dois para as famílias em que três gerações de mulheres (avó, mãe e filha) apareçam na bilheteira.Bilhetes à venda no Mundial;
Em http://www.ticketline.sapo.pt/
Agencias Abreu; Agência Alvalade; Abep; FNAC; Plateia
Reservas pelo 213574089 (Mundial) ou 707 235 234 (Ticketline)
Próxima Estação _ proximaestacao@gmail.com

Espectáculo integrado no Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos