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Monthly Archives: Julho 2007

Voluntárias da sua consciência, muitas mulheres portuguesas abordam hospitais públicos, no nosso país, para que ,os mesmos, respondam à interrupção de uma gravidez indesejada. No entanto, alguns especialistas na área da saúde, porque se consideram “objectores da boa consciência e da boa moral” cruzam os braços a uma prática consentida em referendo, esquecendo-se que a ética profissional é um convénio entre a consciência individual e o meio social envolvente. Isto é, a responsabilidade de um médico não se limita à autonomia da sua consciência, mas ao enquadramento claro que consagra o direito dos ógãos humanos e sociais.

A ética orienta a vida de cada Homem em Sociedade e não propriamente a vida do Homem no próprio Homem. Na realidade, muitas destas mulheres não têm possibilidades económicas acrescidas e se lhes for negada esta prática desejada, elas poder-se-ão socorrer das malhas da ilegalidade, aumentando, drasticamente, o número de abortos clandestinos. Não faz sentido algum, médicos advogarem que muitas das mulheres que recorreram aos hospitais públicos serem licenciadas, pertencendo a classes sociais médias altas ou mesmo altas, implicando mais conhecimentos e mais possibilidades económicas para abordarem clínicas privadas, contudo independentemente da profissão, da situação na profissão, dos conhecimentos ou capitais sejam sociais, culturais ou económicos; todas são mulheres e todas têm o pleno direito ao aborto.
A democracia representativa nem sempre é nítida, mas a fragilidade humana torna-se maior quando cada Homem-médico não age de uma maneira universal, respondendo, de uma maneira incongruente, à incorporação de costumes que resultam de hábitos, muitas vezes conduzidos pela “religião”. No meu ver, comparo esta situação a um fechar de portas à cura de um problema seja biológico, seja moral, seja social.
Resta-me reinterpretar o código médico e aconselhar estes especialistas a reverem a sua noção de “bioética”. Aqui fica uma proposta: A bioética preocupa-se não apenas com o médico, mas essencialmente com a pessoa humana, com a sua dignidade e com a liberdade que a pessoa tem de dispôr de si própria. Assim, a bioética consagra o príncipio da autonomia individual no seio das sociedades democráticas. O respeito da dignidade feminina, o respeito pela liberdade feminina são, de facto, faculdades reflexivas da bioética.
Ana Ferreira

Nesta época de Estio, as “famosas” touradas fazem as delícias de muitos cidadãos portugueses. Pessoalmente, não consigo encontrar regozijo algum, deambulando em mim apenas a náusea de saber que é uma tradição ainda existente e mediatizada.
Os aficionados defendem que faz parte da alma lusitana e ibérica apreciar as touradas. Arte, festa brava, emoção? Desde quando mutilar paulatinamente um animal, provocar-lhe sofrimento e ridicularizá-lo são sinónimos de heroísmo, coragem ou divertimento? Pelo contrário, significam estupidez, brutalidade e desdém pelos direitos animais. Participar e assistir a uma medíocre e atroz violência exercida contra um touro não me parece digno de seres pensantes. Ferir pungentemente um animal, que está desprovido das suas reais capacidades, deve ser considerado crime em Portugal e não deve haver tradição ou seja o que for que contribua para a perpetuação da estupidez das touradas.
Anabela Santos

DENUNCIA!
FIM AO TRÁFICO HUMANO!

Maria Filomena Mónica, escritora e investigadora reflexiva dos problemas sociais e sociológicos, enfrentou o plano ideológico convencional ao cristalizar o percurso histórico, sociológico e antológico de uma sociedade ,vincadamente, marcado por uma severa desigualdade seja nos termos políticos, estatais ou governamentais, seja nos termos de género.
A radicalização da sua visão não deixa de ter sentido, porque a fragmentação do comportamento de género é assumida pela dominação e ingenuidade do sexo feminino, ao longo da história da vida social, assim como, pela consequente afirmação da diferenciação de género e da identidade constituída a partir da ruptura emancipatória feminina.
Por conseguinte, forma-se uma espécie de ideologia-utopia, pois ultrapassa o campo das ideias e representações legítimas de um grupo diferenciado e projecta o subgrupo dominado (feminino) para a determinação da sua posição social, cujas estratégias de acção, denotam discordâncias com a realidade actual, que orienta, tradicionalmente, a estrutura de género. Assim, com base nas relações de força, as mulheres determinadas pela sua consciência deformada, ocupam a posição de dominadas. Atentemos nos escritos parafraseados, pela historiadora:
1. “(…)as revelações das jovens serviram para me mostrar que as novas gerações femininas, pelo menos as da classe média, não têm a vida mais facilitada do que eu a tive há quarenta anos. Por um lado, (..) a ideologia dominante sobre a função da mulher alterou-se menos do que eu pensava.”
2. “A quase totalidade dos portugueses (93%) considera que, num casal, tanto o homem quanto a mulher devem trabalhar fora de casa, mas um número impressionante (78 %) diz que uma criança pequena sofre quando a mãe trabalha. Cerca de metade da população afirma que as mães se deveriam abster de trabalhar quando têm filhos com menos de seis anos. Ora, devido aos salários reduzidos da maioria dos trabalhadores masculinos, Portugal possui a mais alta taxa de emprego feminino da Europa, uma situação que só pode conduzir a que as portuguesas vivam em estado permanente de culpabilidade.”
3. “Algumas das jovens,(..),declararam conformar-se com a distribuição do trabalho vigente, chegando a dizer que “nós nunca nos zangamos por causa das tarefas domésticas”, continuando a lavar a roupa, a passar a ferro e a mudar fraldas, como se os filhos não fossem responsabilidade de ambos.”
4. “Apesar das minhas resistências iniciais, acabei por admitir que existe um laço afectivo diferente entre a mulher, que teve de carregar um feto na barriga durante nove meses, e o homem que se limitou a depositar nos ovários um montinho de espermatozóides. Mas isto não explica a exploração a que as minhas compatriotas são sujeitas, não só pelos maridos, como por uma sociedade que continua a atribuir-lhe todos os males contemporâneos, do consumo juvenil da droga à anomia cerebral dos alunos.”
5. “Algumas raparigas ainda parecem pensar que a sua única função no Universo consiste em desempenhar os papéis de esposas devotadas, seres paranoicamente ocupados com a limpeza do pó e mães tão excelsas quanto a Virgem Maria.
6. “É por isso que a luta tem de continuar. Não sei se sou “feminista”, nem me interessa debater a questão terminológica. Sei que sou contra todas as injustiças e, entre elas, contra a ideologia que nos quer manter encerradas numa Casa de Bonecas.

“Quem luta, tem direitos; quem se resigna, fica de fora.”

 

Ana Ferreira

(anarafaelaferreira@gmail.com)

O Mal da Indiferença’ comemora, hoje, o seu 2º aniversário.
Na nossa primeira publicação, apresentámo-nos como três jovens feministas determinadas a contribuir na luta contra a Indiferença e Discriminação. Dois anos depois, a garra feminista que nos motivou a criar este blogue permanece, com um fervor e veemência ainda mais vincados.Ao longo destes dois anos, encontrámos vozes em sintonia com o nosso Feminismo, mulheres e homens inconformados com desigualdade existente nas sociedades hodiernas. Contudo, neste momento de retrospectiva não podemos ignorar as opiniões dissidentes que julgam o Feminismo como um movimento obsoleto ou mesmo extinto. E são precisamente estas concepções, erróneas e deturpadas, que repletam o âmago das nossas preocupações. Como é possível desvalorizar e ironizar o contributo do Feminismo na evolução/construção das sociedades?

Para aqueles que o olham com escárnio, ripostámos incansavelmente com argumentos que nos parecem indubitáveis, enfatizando sempre a premência do “ser, pensar e agir feminista” face às relações de subalternização que caracterizam a Pós-modernidade. Felizmente, os múltiplos dissídios e malogros não foram suficientes para cessar a nossa luta feminista e, nesse sentido, continuá-la-emos no presente e no futuro, aqui ou em qualquer outro lugar.

Porque… o Feminismo inere-nos. Somos feministas porque floresce em nós a convicção de que uma sociedade paritária é edificável. Somos feministas porque recusamos:

1. A coisificação do corpo da mulher, que se transfigura nos mais hediondos crimes: violação como instrumento bélico, tráfico humano;

2. A violência física, moral, psicológica e simbólica;
3. A atribuição de um valor de mercado ao corpo da mulher, tendência que se perpetua através da prostituição;
4. Práticas nocivas para a saúde física e psíquica da mulher, como a Mutilação Genital Feminina;
5. Os Crimes de Honra que são perpetrados com base em dogmas e noções culturais infundadas;
6. A impossibilidade de aceder ao sistema de Ensino e a recusa na concessão de direitos políticos à mulher.
Somos feministas porque valorizamos os direitos consagrados na Convenção dos Direitos de Protecção da Mulher, artigo 4º, na defesa da Justiça, da Igualdade, da Dignidade:• direito a que se respeite a sua vida, integridade física, mental e moral;
• direito a não ser submetida à tortura;
• direito a recursos simples e rápidos perante o tribunal competente e que a proteja contra actos que violem os seus direitos;
• direito a ter igualdade de acesso às funções públicas de seu país e a participar nos assuntos públicos, inclusivé na tomada de decisões;
direito a ser mulher
e não um fantoche!

Feministactual@sapo.pt

No âmbito do Plano de Acção do Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos (AEIOT), a Festa da Diversidade e da Igualdade de Oportunidades realiza-se nos dias 13, 14 e 15 de Julho e privilegia a diversidade de culturas, personalidades, gostos, identidades. A Praça do Comércio, em Lisboa, vai ser o palco da celebração pela Igualdade, com concertos, exposições, espectáculos, teatro, workshops e debates.
Anabela Santos

Diversas teorias em torno do comportamento, seja nos termos psicologizantes, seja nos fundamentos sociológicos, encontram severas desigualdades na expressão facial humana, a destacar o sorriso. De facto, há diversas variáveis que ao se entrecruzarem, mostram que o sorriso é o espelho da posição social de subordinação, tais como a definição vincada do status, a construção social de género e o contexto social envolvente. Casuisticamente, as mulheres têm menos poder social, logo, “sorriem mais num esforço para agradar”. Assim, a dinâmica do comportamento humano revela-nos que o movimento ou a mudança é apenas corporal e que a condição social, o meio envolvente em que estamos inseridos e a hierarquia de género construída com base no convencionalismo social são componentes determinantes na “incorporação da exterioridade”, ou seja, por meio do corpo somos o reflexo da estrutura imposta socialmente. Consolidemos algumas expressões acerca desta temática desigualitária:

1. “O sorriso é mais frequente e mais intenso na idade reprodutiva e vai rareando na velhice. As mulheres utilizam-no mais em situação de tensão,isto é, sorriem mais em situações nas quais não deviam sorrir, mas fazem-no por temerem serem rotuladas de desagradáveis, usam-no para seduzir,sorriem mais,enquanto o homem usa o sorriso como sinal de dominação e sorri menos.”2. “O sorriso do homem é mais seleccionado em função do contexto e da finalidade, é um sorriso que traduz o desejo da dominação.”

3. “O sorriso dos homens é mais racional do que o sentimental; é um sorriso mais intencional do que espontâneo ou natural.”4. “As mulheres têm menos poder social, sorriem mais num esforço para agradar.”

Fonte bibliográfica:
MAGALHÃES, Freitas (2007), “A psicologia das Emoções:o fascínio do rosto humano”, Edições Universidade Fernando Pessoa.

Ana Ferreira

Nova York – Londres – Joanesburgo – Rio de Janeiro – Shanghai – Tóquio – Sydney – Hamburg
O LIVE EARTH decorre em oito palcos distribuídos por todo o planeta, reúne mais de cem artistas e dois biliões de pessoas que partilham do mesmo propósito: pôr fim à crise climática.