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Category Archives: Pobreza

A Pobreza é um fenómeno social  que resulta de comportamentos discriminatórios como a desigualdade e a exclusão social. Assim, a campanha Ogilvy tem como fim consciencializar as massas colectivas (todos os actores sociais) da gravidade deste problema social que se arrasta, desde sempre. Daí, apresentar como citação chave: “A pobreza é uma batata quente que andamos a passar de uns para os outros, menos a quem precisa.

Ora, um dos objectivos do milénio diz respeito à redução para metade da pobreza e da fome até 2015. Logo, terá que haver um compromisso social, no sentido de reorganizar e equilibrar as redes sociais que se encontram mais desajustadas do considerado “padrão de vida”, nos campos social, cultural, político, educacional, habitacional, ao nível da saúde, profissão, etc.

Divulgue esta campanha! Faça aliança por causas tão visíveis como esta!

Ana Ferreira

 

 

 

O coordenador do estudo “Um Olhar Sobre a Pobreza”, Alfredo Bruto da Costa, não tem dúvidas: os baixos salários são um problema grave, que contribui para a pobreza em Portugal. É preciso aumentar os ordenados e democratizar as empresas.

É mesmo verdade que metade da população portuguesa está numa situação vulnerável à pobreza?

É mesmo assim. Este é um aspecto da pobreza que, em Portugal, é analisado pela primeira vez: quantas pessoas, ao longo de seis anos, passaram pela pobreza e foram apanhadas como pobres em pelo menos um dos anos. A opinião pública, enquanto tal, nunca foi confrontada com esta realidade.

E a opinião pública pergunta: onde estão os pobres?

Esse é outro problema: o da definição de pobreza. Quando se pensa em pobreza, pensa-se em miséria ou nos sem-abrigo. O pobre, na definição adoptada no estudo, é alguém que não consegue satisfazer de forma regular todas as necessidades básicas, assim consideradas numa sociedade como a nossa. Miséria é uma parte disso.

Apesar de tudo, mais vale ser pobre em Portugal do que em alguns países de África ou da Ásia?

Sim, em termos absolutos. Em termos relativos, não necessariamente. Porque a pobreza é um fenómeno social, não apenas individual: é não ter recursos para participar nos hábitos e costumes da sociedade. Se uma criança pobre não pode vestir-se como os seus colegas, para não ser ridicularizada, mesmo que tenha mais que uma criança em África, sofre de exclusão.

O que é preciso para não ser estigmatizado em Portugal é muito mais do que em outros países. Há uma definição do século XIX, que diz que uma pessoa é pobre quando não tem dinheiro para vestir uma camisa que seja aceitável na sociedade.

Os 47 por cento de famílias que viveram uma situação de pobreza não são o mesmo que a taxa de pobreza em Portugal que continua nos 20 por cento.

Há uma população, num determinado momento do tempo, que é analisada através de uma radiografia instantânea – são os 20 por cento. Outra coisa é uma sociedade cuja vida só é captada num estudo longitudinal, ao longo de um período.

Porque se fala da persistência da pobreza em Portugal?

A partir da entrada de Portugal na Comunidade Europeia, houve um facto que alterou a atitude da sociedade portuguesa perante a pobreza: Portugal passou a ter programas de luta contra a pobreza, através de metodologias que deram um salto qualitativo no modo de encarar e tratar a pobreza. Poderíamos esperar que a pobreza tivesse uma redução apreciável.

E não teve?

Não teve. Em 2004, terá sido de 19 por cento, em 2005 terá sido 18 por cento. É uma tendência? Falta ver o que se passou nos anos seguintes. O que sabemos é que, durante esse período de 20 anos, andámos à volta dos 20 por cento. Mesmo que se admita que houve uma tendência ligeiramente decrescente, não explica que a ordem de grandeza se situe nos 20 por cento. A pobreza em Portugal ou se manteve estável ou teve uma redução sem proporção com o esforço feito desde que Portugal entrou na UE, na luta contra a pobreza.

E qual é razão principal?

São várias. Mas há uma questão chave: é tempo de a sociedade se interrogar sobre o porquê esta resistência da pobreza perante tanto esforço, boa vontade, recursos, nos últimos 20 anos.

Neste estudo, não entrámos no porquê. Estamos muito virados para a ideia de que a luta contra a pobreza é igual a políticas sociais. Quando há uma percentagem tão elevada de famílias pobres entre pessoas empregadas, vê-se claramente que a política social é um instrumento útil, mas não resolve tudo. Pode ser decisivo para o terço de pensionistas ou para o outro terço, de outros inactivos como domésticas, que nunca trabalharam nem tencionam trabalhar. Aí, ou a sociedade portuguesa resolve valorizar economicamente o trabalho doméstico e tem uma modalidade de remuneração – o que seria uma revolução cultural – ou isso nunca se resolve.

A outra parte – os pobres que estão empregados, por conta própria ou por conta de outrem – não se resolve com política social, é um problema económico.

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“To live on the street is to be an “eye-sore”, to be ostracized, to have nothing, to be nothing, to be invisible, the object of anger, the object of guilt, painfully ignored or pitied.”
Rae Bridgman, 1998

 

Considera-se que um sistema social permite um todo, uno e articulado de relações sociais, afectivas, individuais e institucionais. Porém, nem todos os actores sociais integram este sistema. Por um lado, a complexidade desta abordagem conduz ao contraste entre a percepção do crescimento e agudização das desigualdades sociais e económicas e à angústia vivenciada face a este estado de crise, à ameaça gradual de um fenómeno ilimitado que pesa sobre a sobrevivência da Humanidade e, por outro, à insegurança difundida em todas as células ou corpos sociais perante cenários duros e imperscrutáveis como a negação do direito à cidadania e à satisfação dos direitos inerentes à dignidade, justeza e necessidades igualitárias.

A exclusão social abrange  formas de privação que não passam, exclusivamente, pela carência de recursos materiais. Este fenómeno é atingido por uma diversidade de necessidades nos âmbitos social, económico, sociocultural, psicológico, etc. Portanto, a exclusão social como fenómeno pluricausal contém uma série de problemas sociais como o estigma social, o desemprego, a discriminação, a marginalização, a pobreza, entre outros.

Particularizando o fenómeno dos “sem abrigo”, entende-se que o mesmo não inclui apenas os mendigos e vagabundos, mas uma amálgama de excluídos que resultam, por sua vez, da crise económica, crise de valores, aumento do consumo das substâncias ilícitas e da má gestão das políticas implementadas socialmente. A estas motivações acresce-se uma de ordem privada ou íntima como as desavenças, conflitos e violência que emergem no seio dos grupos domésticos. Assim, este último aspecto comporta um simultâneo e duplo movimento: funciona como “destruidor” das relações harmoniosas e optimizadas e como “fundador” de problemáticas acrescidas, num processo espasmódico.

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www.istoincluime.org.

Parceria: ANIMAR / APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima) / Cruz Vermelha Portuguesa / FENACERCI / REAPN / Instituto da Segurança Social, IP

“Por vezes, sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota”. [Madre Teresa de Calcutá]
Não sou católica, nem tão-pouco simpatizante do catolicismo. No entanto, não posso deixar de reconhecer a força, coragem e dedicação que Agnes Gonxha Bojaxhiu ou Madre de Teresa de Calcutá manifestou ao longo de toda a sua vida.
Descobrindo desde cedo a sua vocação para a religiosidade, Madre Teresa de Calcutá distinguiu-se: não se dispôs a palrar (mecanicamente) os dizeres bíblicos, num sumptuoso e exuberante altar; ou a pedir meia dúzia de trocados para a manutenção da igreja. Não, não.
A missionária fez muito mais do que isso: praticou a sua fé in loco e transformou-se na personificação de solidariedade, filantropia e altruísmo, conceitos que após a sua morte, em 1997, se vêm a esvaziar de sentido.
Em 1948, Madre Teresa fundou a sua Ordem – Missionárias da Caridade – cujo objectivo principal consistia na ajuda a crianças desfavorecidas. A partir da década de 50, a missionária dedicou-se à prestação de auxílio a doentes com lepra. O mérito do seu trabalho foi reconhecido com a atribuição do Prémio Nobel da Paz, em 1979.
Dez anos após a sua morte, recordamo-la aqui e agora para que os seus feitos jamais caíam no esquecimento e, principalmente, para que a sua filosofia de vida nos diga algo sobre a nossa própria existência.
Anabela Santos
Segundo a ONU, o número de pessoas que vivem com menos de 1 dólar por dia, nos 49 países mais pobres do mundo,principalmente em África,mais do que duplicou nos últimos 30 anos, chegando a 307 milhões – o que equivale a 65% da população. As estimativas dizem-nos que este número pode chegar a 420 milhões, em 2015.
Ana Ferreira
A Marcha Mundial Contra a Fome consiste numa “manifestação global anual destinada a promover a sensibilização e recolher fundos para os programas que abordam o problema de fome infantil”.Em todo o mundo, mais de 300 milhões de crianças sofrem de fome crónica. Aliás, a fome e a subnutrição constituem as principais causas da mortalidade infantil a nível mundial e, anualmente, provocam a morte a 6 milhões de crianças.

“Pode ser fornecida uma refeição escolar a uma criança que tem fome pela irrisória quantia de 16 cêntimos por dia”.

Em 2006, cerca de 760 mil pessoas participaram na Marcha, em 118 países, em mais de 420 cidades. Resultado: conseguiu-se angariar cerca de 2 milhões de dólares em todo o mundo.

Este ano, a organização pretende reunir, pelo menos, 1 milhão de participantes em todo o mundo e 25 mil em Portugal.

Junta-te à Marcha Mundial Contra a Fome!
Dia 13 de Maio às 10h00

Para mais informações, clica aqui!

Anabela Santos

As relações de género têm-se pautado pela crescente “Feminização da Pobreza”, pois levantamentos oficiais e estudos académicos têm revelado que as mulheres apresentam taxas mais elevadas nos termos da pobreza ora absoluta, ora relativa; seja primária, seja secundária. Uma das maiores agressões, manifesta neste contexto, é mensurada pelo IDG (medida de desenvolvimento humano ajustada à desigualdade de género) que conduz a intensidade da pobreza como sendo maior entre as mulheres, mesmo em circunstâncias sociais similares.
Um dos enfoques deste registo está ligado à discriminação legal e cultural que impera sobre as mulheres impedindo-as de ter acesso à propriedade e ao controlo de bens de raíz, ao pleno emprego e ao crédito ou remuneração equivalente à do sexo oposto. Contribui, assim, para este facto o baixo status da mulher, o conformismo social no que concerne à distribuição desigual de poder, de oportunidades e de prestígio e a ausência de direitos de promoção da igualdade no incongruente binómio “homem-mulher”.

Analiticamente, as mulheres representam 70% dos pobres em todo o mundo, realizam 70% das horas de trabalho e recebem apenas 10% dos rendimentos mundiais. Em Portugal, apesar de representarem 53% da população economicamente activa, apenas 17% desempenham papéis no mercado de trabalho formal. Outros números apontam para a gravidade da feminização da pobreza: 32% dos lares portugueses são providos por mulheres chefes de família; 27% têm filhos menores que residem apenas com elas; 60% não recebe pensão regular do pai e 42% habita em domicílios com renda até dois salários mínimos. Para além disso, grande parte das mulheres inseridas no contexto familiar sofre com sobrecarga de trabalho, distribuição desigual de alimentos e é vitima de violência doméstica.
As estatisticas revelam, ainda, que 78% das mulheres que trabalham em Portugal exercem funções de baixa qualificação e recebem, em média, salários 40% inferiores aos dos homens. Em acréscimo, muitas mulheres sofrem do fardo de dupla acção: jornada de trabalho e responsabilidade de criarem sozinhas e sem auxílio paternal, os filhos que geraram. Outros estudos concluem ainda ( Relatório do Desenvolvimento Humano em 1999) que 44% dos domicílios chefiados por mulheres estavam classificados como pobres, comparados com 21% dos domicílios chefiados por homens.
Nesta linha de pensamento, as próprias bases fundadoras da Elite nos contornos da configuração social e a construção do Estado têm as suas raízes num modelo patriarcal, de subjugação e de dominação face à mulher.
A ficção jurídico-legal da igualdade de direitos é quotidianamente falseada e destituída do seu poder normativo por meio de mecanismos que se nutrem mutuamente: por um lado, pela naturalização e aceitação cultural de preconceitos e, por outro, pela reprodução de mecanismos informais e sociais de inferiorização e de tratamento discriminatório, com a conseqüente manutenção de privilégios para uma massa descrita pelo “formal, racional, culto, propensa para o sucesso, para a naturalização da agressão”.
É urgente quebrar o “culto do silêncio”.
Ana Ferreira

Não obstante os avultados esforços canalizados para a sua erradicação, a pobreza afigura-se ainda como uma arma de aniquilamento lento, pungente e diário de milhares de vidas. A carência alimentar, a inexistência de um sistema sanitário que garanta um auxílio eficiente, bem como a impossibilidade de aceder à educação básica confluem para uma única realidade: a da pobreza extrema, que vulnera cerca de 1.2 mil milhões de pessoas em todo o mundo.
Constituindo uma iniciativa inovadora no combate contra a “despromoção da vida humana”, “LEVANTA-TE contra a Pobreza” visa persuadir o maior número de pessoas possível a levantarem-se contra a pobreza nos dias 15 e 16 de Outubro de modo a estabelecer um novo recorde mundial.
Em Portugal, o evento integra o programa da campanha Pobreza Zero, a qual dissemina a declaração do Milénio firmada pelos líderes de 189 países, em 2000, e que consagra oito objectivos a completar até 2015, respectivamente: a redução para metade da pobreza extrema e da fome, o acesso universal ao ensino primário, a igualdade de género, a diminuição em 2/3 da mortalidade infantil, a redução em 3/4 da taxa de mortalidade materna, o combate contra a VIH/SIDA e a malária, a garantia da sustentabilidade ambiental e a criação de uma parceria mundial para o incremento de políticas de desenvolvimento.Como participar no “LEVANTA-TE contra a Pobreza”?

A duração do evento compreende unicamente 24 horas: inicia-se às 10h do dia 15 e termina no dia seguinte à mesma hora. Neste intervalo de tempo, os participantes devem reunir-se em grupo e cumprir os seguintes passos:
– Destacar um responsável pela iniciativa;
– A pessoa eleita deverá reunir os participantes num determinado local, pedindo-lhes para que se sentem;
– O responsável deverá explicar a iniciativa e ler o seu manifesto, procedendo seguidamente à contagem decrescente.
– Assim que for pronunciado o número “0”, os participantes levantar-se-ão em simultâneo;
– O responsável deverá preencher o formulário disponível on-line na semana que antecede a realização do evento.

Os resultados finais do “LEVANTA-TE contra a Pobreza” poderão ser consultados aqui ou aqui!

Anabela Santos