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Category Archives: Uso do Véu

“Ela viveram a humilhação de não serem homens, de usar o véu, esta prisão ambulante como um estigma , como a estrela amarela da condição feminina”.
Chahdortt Djavann “ Bas les voiles”

 

“ Parem de julgar, desliguem a televisão, e vamos iniciar o diálogo”.
Ismahane Chouder, Malika Latrèche

 

 A questão do uso do véu levanta as mais fervorosas opiniões e cria a discórdia entre todas as partes interessadas. Se para uns refere-se a um debate político para outros levanta questões religiosas, para outros ainda engloba a temática dos direitos da mulher.

O véu apresenta-se para muitos como um sinal de submissão e opressão para a mulher, n’ outra perspectiva é precisamente o contrário. O véu quase se apresenta como uma “ nova moda”, onde muitas mulheres acreditam ser uma forma de liberdade, um direito, um marco da sua identidade.

A autora Chahdortt Djavann no seu manifesto “ Bas les voiles” questiona que o véu seja simplesmente para as mulheres e não para os homens. Assim a autora pergunta se aquilo que escondemos não é aquilo de que temos vergonha.
A mulher “ … é o objecto potencial do delito …. O objecto potencial da violação, do pecado, do incesto e mesmo do roubo porque os homens podem lhes roubar a sua vergonha num simples olhar …. Uma rapariga é uma ameaça permanente para os dogmas e a moral islâmica”.                                                              Chahdortt Djavann que viveu dez anos por detrás do véu acredita que é muito mais do que um símbolo religioso e que difere muito d’outros símbolos como uma cruz por exemplo. Para ela enfatiza a “ separação radical entre o espaço feminino e o masculino”.                                                                                      

 Assim na sua perspectiva o que define a honra dos Muçulmanos pai, marido e irmão depende do grau de vergonha e pudor da mulher. Nesta óptica a polémica do véu abrange questões mais amplas do que a própria laicidade à qual é muitas vezes associada. A proibição do uso do véu seria “ em nome dos direitos do homem e em nome da protecção de menores”.

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Um colóquio organizado na Universidade da Moda de Lyon, no dia 28 e 29 de Abril, está a causar uma grande discórdia em França. Tudo isto devido ao seu título. Quando associação escolheu o tema “Véus desvendados, pudor, fé, elegância”, não imaginava que iria suscitar várias reacções de descontentamento. A Universidade pretendia “ estabelecer, no quadro da Universidade da Moda, uma “antropologia” do véu, com três aspectos: o pudor, a fé, a elegância, abordando assim todos os aspectos do véu, simbólico, sociológico e estético, na história e no mundo contemporâneo, através de funções laicas e religiosas”.

 

Numa carta aberta, Annie Sugier, presidente da Liga dos Direitos das Mulheres demonstrou o seu descontentamento. “Ao mesmo tempo que a nossa associação esta a desenvolver uma campanha internacional para denunciar a segregação institucionalizada ao encontro das mulheres nos países onde o porte do véu é obrigatório. Em França, uns responsáveis públicos da educação permitem-se de banalizar um tal sinal e o associar a elegância!” “ Tivemos o corsário, os pés ligados das chinesas, o colar de anéis de algumas africanas… Tanto o pudor que impunham as mulheres de esconder os sinais da sua feminilidade, tanto ao inverso e a obrigação de seduzir que impunha até ao grotesco de lhe dar destaque”.

 

O mesmo fez a associação “ Regards des Femmes”, numa carta aberta ao presidente da Universidade lamentou o colóquio. Para a associação o título “banaliza uma violência extrema contra as mulheres”, “contra todos os princípios universais da dignidade dos seres humanos”. Para Michèle Vianès “ o véu das mulheres, é a estigmatização da discriminação, da separação, de fétiches sexuais, que consideram as mulheres como propriedades dos maridos, das famílias ou do Deus e intocáveis para os outros”. Assim esta estratégia patriarcal de tomada de controlo do corpo das mulheres, não devia ser apoiada por uma universidade. A presidente da Associação, tem ainda um pensamento por todas as mulheres maltratadas por recusar este sinal de “elegância”.

 

Mais um episódio na grande polémica do uso do véu em França, que divide a opinião pública.

 

Sylvie Silva Oliveira