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Monthly Archives: Outubro 2008

Lado a lado com o ensinamento do feminismo, a vice-presidente da UMAR e professora da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto revela a sua concepção da mulher do século XXI, critica a lei do divórcio e aconselha o que se deve fazer com as vítimas da violência doméstica.

O conceito de feminismo é hoje diferente?

Quando o feminismo da primeira vaga começou, aquelas senhoras sofreram muito, algumas sofreram nas suas vidas pessoais e familiares e eram consideradas contra-natura. Ao fim de décadas de trabalho, ganhamos credibilidade e já conseguimos afirmar na sociedade portuguesa que os feminismos são plurais, que não é só uma perspectiva: vai desde a mais marxista até à mais liberal. Há feministas para todos os gostos [risos].

Ainda se justificam os movimentos feministas?

Sim e sobretudo das jovens. Ainda há muito trabalho para fazer. Tal como aconteceu no primeiro quartel do século XX, isto não está garantido para ninguém. É preciso lutar para que a igualdade se concretize cada vez mais, mas também para manter as conquistas que já conseguimos.

Vemos que as raparigas, nos estudos que se fazem, continuam a achar que é importante casar. Fez-se uma investigação, há pouco tempo, com adolescentes que responderam que gostavam que ainda houvesse princesas e gostavam de ser princesas. Isto ainda perdura muito nas raparigas. As raparigas das classes trabalhadoras são as primeiras a responder que se casassem e o marido ganhasse o suficiente para a família não queriam trabalhar. Depois sobra para elas, no divórcio, na violência doméstica, etc. Isso é bastante aflitivo porque significa que afinal não conseguimos passar bem a mensagem.

Como é a mulher do século XXI?

É uma mulher fragmentada, tem várias caras, várias condições. Temos mulheres que já ascenderam ao topo que contratam uma mulher para tratar da casa e não vêem naquela pessoa outra mulher. As mulheres das classes trabalhadoras que vivem em situações terríveis, desempregadas, mulheres dos bairros sociais, mães adolescentes. As mulheres que têm dificuldade em ir ao centro de saúde, que engravidaram e têm medo de ser recriminadas por fazer um aborto. As empregadas domésticas, as pessoas sem emprego, as crianças que abandonam a escola. As jovens todas cheias de expectativa que acabam o curso superior e constatam que afinal o mercado de trabalho é uma selva insuportável.

O que é que o feminismo lhe dá no dia-a-dia?

Energia, satisfação, trabalho, bem-estar, humor, estar bem comigo mesma. O feminismo ensinou-me a gostar de mulheres e depois a aceitar-me a mim como sou. O mais importante é aprendermos a gostar de nós, é eu gostar de mim. Para gostar de mim tenho que gostar das outras mulheres, das novas, das velhas, das cientistas, porque eu também sou um bocadinho disso tudo.

Fonte: aqui

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A Pobreza é um fenómeno social  que resulta de comportamentos discriminatórios como a desigualdade e a exclusão social. Assim, a campanha Ogilvy tem como fim consciencializar as massas colectivas (todos os actores sociais) da gravidade deste problema social que se arrasta, desde sempre. Daí, apresentar como citação chave: “A pobreza é uma batata quente que andamos a passar de uns para os outros, menos a quem precisa.

Ora, um dos objectivos do milénio diz respeito à redução para metade da pobreza e da fome até 2015. Logo, terá que haver um compromisso social, no sentido de reorganizar e equilibrar as redes sociais que se encontram mais desajustadas do considerado “padrão de vida”, nos campos social, cultural, político, educacional, habitacional, ao nível da saúde, profissão, etc.

Divulgue esta campanha! Faça aliança por causas tão visíveis como esta!

Ana Ferreira

 

No âmbito do I Plano Nacional contra o Tráfico de Seres Humanos (2007-2010), Portugal dá um novo impulso no combate a este crime através da campanha “Desperte para este realidade”. Recentemente lançada, a campanha visa a “sensibilização da população portuguesa para a questão das vítimas de exploração sexual e laboral”.

Desde 2007, o país tem desenvolvido estratégias de combate ao tráfico humano como o Centro de Acolhimento e Protecção de vítimas de tráfico e a activação do Guia Único de Registo. Mas é preciso mais, muito mais para evitar a expansão deste crime. Talvez fosse uma boa ideia o realargamento da pena de prisão para “quem oferecer, entregar, aliciar, aceitar, transportar, alojar ou acolher pessoas para fins de exploração sexual, do trabalho, ou extracção de órgãos”. Talvez também fosse uma boa ideia a efectivação da legislação!

Todos os anos, mais de 700 mil pessoas são traficadas (leia-se: ludibriadas, chantageadas, manipuladas, violentadas, exploradas, violadas, instrumentalizadas). O sexo feminino representa 80% das vítimas de tráfico humano e 30% são crianças. De acordo com a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), cerca de 1,2 milhões de crianças são vendidas para trabalhar na agricultura, nas minas e para a exploração sexual.

808 257 257 é a chave numérica que pode libertar milhares de pessoas. 
Não te cales!

Anabela Santos

As 32 mulheres que entre Janeiro e Agosto de 2008 morreram em Portugal vítimas de agressões dos companheiros provam «claramente» que a violência doméstica deve ser «atacada a sério» no País, defende a União da Mulher – Alternativa e Resposta (UMAR)
 
Almerinda Bento, dirigente da UMAR, disse hoje à Lusa que a violência doméstica se assume «cada vez mais como um dos problemas mais fortes» das mulheres em Portugal.

«A UMAR, por exemplo, tem duas casas-abrigo para mulheres vítimas de maus-tratos, com capacidade para umas 60 utentes, e a verdade é que estão sempre lotadas. Quando uma mulher sai, entra logo outra. Um sinal claro de que o fenómeno não pára», acrescentou.

Aquela activista falava em Vigo, na Galiza, Espanha, onde participou numa manifestação contra a violência doméstica e pelos direitos das mulheres, que juntou perto de 10 mil «vozes femininas» dos cinco continentes.

O baixo nível de escolaridade e o consequente baixo nível salarial são outros dos problemas que Almerinda Bento aponta como sendo dos maiores problemas das mulheres portuguesas.

«Mas também se continua a registar uma grande discriminação salarial para trabalho exactamente igual. Por norma, os homens ganham mais do que as mulheres», acrescentou.

Uma opinião partilhada por Sandra Frade, da Associação para a Justiça e Paz, que também marcou presença na manifestação de hoje e que sublinhou «o longo caminho que falta percorrer» para que em Portugal as mulheres sejam vistas e tratadas «de igual para igual» em relação aos homens.

«Quando há desemprego, quem são as primeiras a sofrer as consequências? As mulheres, claro. Até porque são elas quem, por norma, tem os vínculos laborais mais precários», criticou.

Fonte: Lusa/ Sol

Rose and Christie were just teenagers in Cameroon when they were promised a chance to go to school in the United States. What they got was – slavery.
They worked 15 hours a day for years – they were paid nothing. Rose was beaten. Finally, she couldn’t take any more.

Rose Escapes Slavery
Rose opened the door and ran. She wasn’t wearing shoes, it was October and bitterly cold in suburban Washington, D.C.. She was frightened, “and I told myself I really give up I don’t care whatever happen with my life right now I think I’ve tried my best running away…” Rose called the number of a Cameroonian man who visited her slave owner’s house occasionally and seemed concerned about Rose. The man picked her up hours later.

Good Samaritan Helps Rose
Another Cameroonian man found out what was happening. He took Rose into his home. Rose told him there were others just like her. Eventually, Rose was reunited with her friend Christie and other young Cameroonian girls who had been enslaved.

Success…mostly
Local anti-slavery activists championed the young women’s cause. There were court cases, convictions and freedom. Even success stories of former slaves are tempered with longing for what was lost or never gained. The women lured to the US by the holy grail of education never did get to go to school. Today they are working and paying for their brothers and sisters to go to school in Africa. And Rose has started a family of her own.

Rose has advice for slaves
Her message to slaves? Run. “Don’t wait there’s so much things you can do with your life than just sitting in one spot and having all day abuse or doing nothing with your life so just, just get out and find help. People will help you. They help out there.’

Mais histórias AQUI!

CALL + RESPONSE é um documentário centrado na escravatura do século XXI: o tráfico humano. Conta com a participação de inúmeros artistas e figuras proeminentes da cultura e política, designadamente Cornel West, Madeleine Albright, Daryl Hannah, Julia Ormond, Moby e Natasha Bedingfield.

“O que posso fazer para parar isto?”. Esta é a questão que o director de CALL+RESPONSE, Justin Dillon, quer fazer emergir no público. CALL + RESPONSE encerra, por isso, um apelo à mobilização da sociedade para erradicar a exploração laboral e sexual.

Passa por AQUI!

Anabela Santos

Selecção pré-natal. Infanticídio. Mutilação Genital Feminina. Abuso Sexual. Prostituição Infantil. Tráfico de mulheres. Casamento forçado. Violência doméstica. Mortalidade materna. Assimetria salarial. Prostituição. Crimes de Honra. Violação marital.

A violência exercida contra a mulher circula num circuito fechado que é preciso quebrar. Nenhuma mulher usufrui, em plenitude, dos seus direitos. Porquê? Por ser simplesmente mulher!

Reconhecendo que uma ambiência mais equitativa impulsiona o progresso das sociedades, a ONU designou a Igualdade de Género como um dos objectivos a alcançar até 2015. A campanha visa igualmente combater a pobreza extrema, universalizar o ensino básico, reduzir a mortalidade infantil e materna, erradicar doenças como o HIV/Sida e a Malária, garantir a sustentabilidade ambiental e promover a cooperação global.     

Em 2007, Portugal – que constitui um dos 189 países subscritores da Declaração do Milénio – investiu 0,19% do Rendimento Nacional Bruto na Ajuda Pública para o Desenvolvimento (APD). O compromisso acordado estabelecia o investimento de 0,7% até 2015. A campanha apela ao Governo português uma aposta mais intensa no APD para a consecução efectiva das metas sobreditas.

Até quando, Portugal?

Anabela Santos

Crónica de Caroline Fourest
Versão original: Le Monde

“Um tal desprezo diz muito sobre o caminho que falta percorrer. O feminismo não é uma história de “ raparigas”, mas a história de um humanismo revolucionário que abalou o mundo, como poucos ideais podem se vangloriar de o ter feito. Isto merece que consideramos séria a sua história”.

 

Uma doce OPA está a ser feita sobre o Movimento de Liberação das mulheres. Na semana passada, Le Parisien e o Ouest France anunciavam “ os quarenta anos do MLF (Mouvement de libération des femmes.). Com dois anos de antecedência. Estupefacção para as feministas. Estariam elas a ser espreitadas pela doença de Alzheimer? Estaríamos nos já em 2010? Na opinião das historiadoras como das militantes, os “ anos movimento” começaram em 1970. Feministas estavam de facto nas activistas do Maio de 68, mas as suas preocupações, não era a prioridade do mês de Maio, sobretudo a dos seus colegas rapazes. Foi preciso esperar 1970 para assistir a um movimento que reivindicava a liberalização das mulheres através de uma série momentos fortes colectivos: reunião na faculdade de Vincennes, entrega de flores para a mulher do “ soldado desconhecido” e o numero da revista de Partisan que proclamava: “ Feminismo: ano zero”.

Mas então qual a causa desta precipitação e porque alguns médias datam subitamente a acta de criação do MLF no primeiro de Outubro de 1968? Esta data não corresponde a nada … a não ser ao aniversário de Antoinette Fouque. Tão cómico que isto possa parecer, esta antiga deputada europeia, fundadora das Editions des femmes, pensa que se recorda de ter evocado a questão com duas amigas no dia do seu aniversário em 1968. O que faria dela uma das “ fundadoras” do MLF. O seu serviço de imprensa não poupa esforços para difundir esta ideia. Ouest-France anunciou-o: “ há quarenta anos Antoinette Fouque criou o MLF”. A época é propícia aos embustes. E não só na Internet. Só o facto desta mentira mediática funcionar diz muito sobre o desconhecimento, até mesmo o desprezo para com a história do feminismo, julgada secundária. De relembrar esta verdade simples: ninguém fundou o Movimento de Libertação das Mulheres. Não se decreta um movimento social, sobretudo um composto por esta variedade de correntes e de grupos. Antoinette Fouque et a sua corrente não era mais do que uma das muitas correntes destes “ anos movimentos”. ( Livro de referencia de Françoise Picq). Read More »