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Monthly Archives: Outubro 2005

Social e politicamente reflectindo, evidencio o papel da linguagem dita Sexista que contribui para o desequilíbrio da balança no seio das relações sociais ou mesmo individuais entre homens e mulheres, relações estas de subordinação ou de liderança levadas ao extremo.
Quando articulo linguagem sexista com relações de dominação, refiro-me, à tendência ou tradição, em generalizar o mundo a um só sexo: ao sexo masculino. Ou seja, somos uma Sociedade Patriarcal que menospreza a “fecundidade”, a razão da procriação – a Mulher. A relação que existe entre linguagem–pensamento-mundo é uma relação dialéctica mas, em grande parte, contraditória. Alguns estudos dizem que as “presenças” são sempre feitas no masculino e que, como é óbvio, as fotos das mulheres predominam na divulgação dos Mass Media ( e as de cor negra quando é conveniente!), fotos estas que mostram duas funções redutoras da mulher: a lida da casa e a exposição corporal – duas realidades distintas mas verosímeis. Portanto, fragilmente enquadrada numa situação de exclusão e de segregação social, a mulher, ainda hoje, no Mercado de Trabalho tem um salário inferior ao do homem (ganha 30% menos do que o homem, mesmo quando têm o mesmo emprego); alguns trabalhos são considerados “extensões das tarefas domésticas” (por exemplo, o trabalho infantil); algumas mulheres são “bodes expiatórios da Sociedade”, por isso são acusadas de má Socialização e má formação dos educandos; algumas mulheres, ainda hoje, não têm direito à contracepção; algumas mulheres são alvo de mutilações genitais, físicas, psicológicas, morais, entre outras. “Crua e nua” a realidade – não acham?! Para além disso e em jeito de reforço da ideia anterior, estudos no âmbito europeu resumem o seguinte: “emprego, remuneração, formação contínua, organização do trabalho, acesso a lugares de responsabilidade, respeito pela dignidade, representação na vida pública são domínios em que as mulheres ainda não ocupam uma posição de igualdade relativamente ao homem”. Por isso, o Parlamento Europeu aposta, em si próprio, por ser um espaço de “oportunidade para as mulheres se afirmarem”. Apelo-vos a folhearem os jornais, a consultarem a realidade e, no final, fazerem o historial do menosprezo feminino. Ser Mulher é ser mais do que um corpo, é ser mais do que uma mãe, do que uma filha e essencialmente do que uma esposa: Ser Mulher é Ser Humana! No Mundo Ocidental, de acordo com as análises estatísticas, as mulheres detêm apenas 1% da riqueza mundial e ganham 10% das receitas mundiais, apesar de constituírem 49% da população; quando se considera a criação dos filhos e o trabalho doméstico, as mulheres trabalham mais do que os homens, quer no mundo industrializado, quer no mundo em vias de desenvolvimento (20% a mais no mundo industrializado, 30% no resto do mundo)…
A Realidade revê-se diariamente, as questões levantam-se mas a mentira é confrontada quando na passagem da Vida se espelha o sangue, as lágrimas e o silêncio de uma Mulher violentada, torturada, mal amada.
Ana Ferreira
anokas33@sapo.pt

Entende-se por violência doméstica “Qualquer acto, omissão ou conduta que serve para infligir sofrimentos físicos, sexuais ou mentais, directa ou indirectamente, por meio de enganos, ameaças, coacção, ou qualquer outro meio, a qualquer mulher, e tendo como objectivo e como efeito intimidá-la, puni-la ou humilhá-la, ou mantê-la nos papéis estereotipados ligados ao seu sexo, ou recusar-lhe a dignidade humana, autonomia sexual, a integridade física, mental e moral, ou abalar a sua segurança pessoal, o seu amor-próprio ou a sua personalidade ou diminuir as suas capacidades físicas ou intelectuais.”
Infelizmente só a partir da década de 80/90 é que começou a ser tratada como uma violação dos direitos humanos. Até ai era considerada como um caso privado entre casais. Esta mudança relaciona-se com a influência de várias organizações como a ONU e a Amnistia Internacional. Portanto nessa altura começou a serem pensadas penas para o agressor. Em 2000, por proposta de lei do BE, houve uma alteração do Código do Processo penal em que o crime de maus-tratos passou a crime público.
Porem as medidas empreendidas pela luta desta prática são raras e ineficazes, pois a verdadeira mudança deveria ocorrer na sociedade que, ainda vê a mulher como um ser menor. Todos assumem que não partilham dessas opiniões mas quem é a pessoa que nunca utilizou expressões como: “A mulher é que tem a culpa: se levou alguma coisa fez”, “Quanto mais me bates mais gosto de ti”. Essas frases são socialmente aceites, motivo de riso, de anedotas e muito raramente são vistas como um assunto sério que deve ser discutido e combatido.
Existe muito a ideia do álcool como factor responsável da violência sobre a mulher. Pensem comigo, essas pessoas são inseridas na sociedade, tem trabalho amigos, colegas, então como se explica que a agressão só é feita no cônjuge. Se na maior parte dos casos eles são pessoas amáveis, simpáticas com o resto dos seus conhecimentos. Não existe nenhum motivo que possa desculpar tal acto.
Então ouve-se a resposta típica: Porque elas não se separam? Para responder a esta pergunta temos de ter em conta vários entraves a mudança. O primeiro é o isolamento social ao qual estas mulheres são reduzidas pelo agressor. Esta teia de isolamento impede-as de contactar as instituições. Um dos grandes problemas é a independência económica, agravada se existem filhos. Assim a mulher está divida entre a vontade de melhorar a sua vida e o bem-estar de terceiros (que pode ser filhos, parentes, amigos). O medo de quebrar a imagem de boa mãe e de esposa compreensível, das criticas e comentários. Isto é do olhar da sociedade que a pode discriminar. Não podemos esquecer que depois de ter sido submetida a maus-tratos perde a auto-estima, e muitas vezes culpabiliza-se pelo sucedido. Vive na esperança que isto vai acabar, e que vai encontrar a vida que sonha, a vida que vai de encontro as suas expectativas. Todavia isto nunca acontece.
São varias as consequências com a diminuição da qualidade de vida da família,
do rendimento escolar das crianças, com a saúde psicológica, as dependências tóxicas e com o eventual risco de suicídio.
Não podemos aceitar esta situação que não é saudável para ninguém.
Sylvie Oliveira
No passado dia 13 de Outubro de 2005, iniciou-se a distribuição do primeiro folheto do grupo “ActNow“, que descreve, lacónica e objectivamente, as situações nas quais os direitos femininos são violados.
Conscientes dos problemas que ofuscam as sociedades hodiernas, as suas autoras, Ana Ferreira, Anabela Santos e Sylvie Oliveira, partilham do mesmo o propósito: pôr fim à segregação sexual/ao sistema falocrático ainda predominante.
Basta de Injustiça, Humilhação e Violência…
É tempo de elevar a voz, a um tom suficientemente audível, e despertar os mais apáticos.
É tempo de unir forças e derrubar aquele que que constitui o maior obstáculo à consciencialização social: a Indiferença. Ao ficar indiferente está a ser conivente com a perpetração contínua de crimes contra o ser humano já que, embora tenha conhecimento da sua existência, nada faz para inverter a situação.
Em todo o mundo, milhares de pessoas são mortas indiscriminadamente, mutiladas, violadas, traficadas, espancadas… e tudo, claro, em virtude de o comportamento fleumático generalizado que impede a justa insurreição/intervenção.
Deixo-lhe, assim, um pequeno mas precioso conselho: “ActNow because tomorrow it will be late”.

Nos nossos dias ainda se mantém uma ideia errada sobre o feminismo. As mulheres que se assumem como feministas são categorizadas como pessoas que não gostam de homens, ou sofreram desilusões amorosas, ou são infelizes, frustradas…
Estas ideias ridículas são generalizadas, são motivo de escárnio até por parte de mulheres. Esquecem-se que tudo o que hoje podemos e somos autorizadas a fazer é consequência daquilo que feministas preconizavam. Lutaram, discutiram, até por vezes morreram para que possamos comunicar a nossa opinião, ter direito de voto, ter instrução, exercer certo tipo de profissões…
As feministas lutam pela igualdade de direitos e nunca pela supremacia das mulheres como muitos pensam. Nunca pode ser comparado ao machismo que defende a superioridade do homem.
O que falta por fazer? Por todo o mundo muitas mulheres sofrem ainda de maus-tratos e não são considerados iguais aos homens. Estamos a falar de uma violência que é multifacetada: agressão física, sexual, psicológica, social e económica, assédio sexual, violação, violação marital, crime de honra, prostituição, pornografia, tráfico e exploração sexual, mutilação genital, discriminação em função da orientação sexual, tratamento inadequado da imagem das mulheres (em especial das jovens) na publicidade e nos meios de comunicação social, imposição de modelos de comportamento sexistas, discriminação no acesso ao emprego e a cargos públicos, discriminação salarial e a criminalização da interrupção voluntária da gravidez.
Ninguém pode ficar apático a esta realidade, homem e mulher devem lutar contar essas desigualdades. Pois nestes casos o mal é sempre a indiferença!
Sylvie Oliveira

A notícia de que nove mulheres se teriam “ordenado” no Canadá reabriu o debate sobre a ordenação das mulheres. Questiona-se os motivos bíblicos, morais, sociais para que este sacramento seja inconcebível pelo Vaticano.
São vários os motivos para tal posição. A igreja baseia-se no principio que Jesus escolheu doze homens como apóstolos. Os representantes da igreja são, por conseguinte, sucessores destes.
Tomando exemplos da Bíblia, já o apóstolo São Paulo dizia: “A mulher aprenda o silêncio, com toda a sujeição. Não permito porém que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio… Salvar-se-á dando a luz filhos se permanecer com modéstia na fé, no amor e na santificação”.
Agora retirado do seu contexto histórico parece-nos completamente retrógrado. No entanto, não podemos esquecer que os apóstolos receberam estas ideias por inspiração divina. Logo, estaríamos a questionar as próprias intenções de Deus.
O Papa João Paulo II pronunciou-se sobre a questão, e recusa a ordenação das mulheres. Fala das intenções de Jesus: “ Confiou somente aos homens o dever de ser “ícone” da igreja, através do exercício do Sacerdócio ministral, isto no entanto, não retira o papel das mulheres”. Tomando uma posição terminante: “Declaro que a igreja não tem absolutamente faculdade de conferir a ordenação sacerdotal as mulheres e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fieis da igreja”.
Porém, a luta continua. Assim, noticiou-se que nove mulheres ( uma canadiana e oito americanas) receberam o sacramento numa cerimónia no rio Saint-Laurent, Guananoque, Canadá. A notícia foi contestada pelo Arcebispo de Kington que declarou que “as pessoas não têm autoridade para fazer ordenações”. A cerimónia, realizada num barco por quatro padres e cinco diáconos, não é um caso isolado. Em 2002, realizou-se uma idêntica sendo o próprio Ratzinger (actual papa) a excomungar essas mulheres.
Não podemos, no entanto, minimizar a luta e o papel das mulheres na igreja. Elas administram a comunhão, têm a cargo a catequese, as reuniões de jovens, a preparação de celebrações, as assembleias de fieis. Sem esquecer as tarefas que por elas são realizadas como a limpeza e a decoração do local de culto, o coro….
Surge então a questão: Não será merecido conferir-lhe o mais sagrado dos sacramentos? Pela sua importância na propagação, fidelização da fé cristã, e a luz da realidade vivida nos seminários que estão se esvaziando tornando a renovação problemática, não será a altura de dar a oportunidade a quem sinta que o sacerdócio é a sua vocação, a sua missão?
Admito que os argumentos do Vaticano são válidos e dificilmente contestáveis. Porém, não se pode esquecer que passaram quase 2000 anos após estes escritos.
Concluímos que no evangelho nada nos diz que a vontade de Jesus era a ordenação das mulheres, no entanto não diz o contrário. A questão mantém-se.
Sylvie Oliveira